Doze homens e uma sentença

Sabe aquelas listas ou livros de 1001 coisas que você deve fazer antes de morrer?

Pois é. Já que amanhã, se os maias estiverem certos, o mundo se acaba, resolvi consultar a lista dos 1001 filmes que você deve assistir antes de morrer. Eis que a lista me surpreende com um dos meus filmes prediletos – como, de resto, todos os filmes que envolvem tribunais norte-americanos: 12 homens e uma sentença ( 12 Angry Men).
Trata-se de um filme que oferece a um só tempo 1h30m de diversão, somada a 1h30m de reflexão sobre a finitude da vida e da responsabilidade que devemos ter para com nossos semelhantes. De quebra, permite compreender o conceito de reasonable doubt (dúvida razoável), algo que todo mundo acha que um dia vai ter tempo para entender.

A primeira versão de 12 homens e uma sentença foi gravada em 1957, em preto e branco, tendo Henry Fonda no papel principal (jurado número 8). O filme fez um tremendo sucesso, tendo sido indicado a 3 Oscars (melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro adaptado). Embora não tenha levado nenhuma estatueta, ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlin e o Bafta, o prêmio mais importante do Reino Unido. Com o tempo, ganhou o status de clássico cult.

Curiosamente, o filme tinha tudo para ser um fracasso de bilheteria e de crítica. Pra começo de conversa, a ação é zero. Todo o filme é rodado em um único ambiente: a sala secreta dos jurados. Pra piorar, os jurados nem sequer têm nome; são identificados somente pela ordem de posição no júri (jurado número 1, jurado número 2, e por aí vai). Mesmo assim, a aparente pasmaceira do filme esconde um intenso debate entre as personagens, e é justamente isso que dá dinamismo à trama.

O filme começa com os jurados sendo trancados na sala secreta. O caso parece trivial: um meninote de 18 anos matou o pai a facadas, porque este lhe batia muito. Sem um advogado decente e com um monte de evidências depondo contra ele, o jogo parece jogado. Na votação preliminar, uma lavada: 11 votam pela condenação do acusado à morte. O jurado número 8, sozinho, vota pela absolvição. Seu argumento é simples: não é fácil para ele decidir em 5 minutos uma parada que pode levar um rapaz de 18 anos à morte.

Todo mundo fica p… da vida. Um caso tão claro, com tantas provas, não deveria tomar mais do que isso para ser resolvido. O jurado número 8, no entanto, traz a pulga atrás da orelha. Tantas evidências, tão concatenadas de forma lógica e seqüencial… algo parecia estranho. Como ele mesmo diz, nada nesta vida é tão certo assim.

Pouco a pouco, servindo-se da revisita das provas do processos e de uma argumentação cartesiana, o jurado número 8 vira o jogo. Não sem antes provocar a ira de alguns jurados (especialmente o número 3). O antagonismo entre ambos chega quase às vias de fato em algumas ocasiões. No entanto, mesmo ele cede, e o rapaz acaba sendo absolvido.

Em 1997, o filme ganhou uma regravação, dessa vez com o impagável Jack Lemmon no papel principal. Embora dispondo de tecnologia bem superior à da época da primeira gravação, o remake manteve a mesma linha, e quase todos os diálogos são os mesmos.

Eu particularmente prefiro o remake ao original.

Quem quiser comparara, abaixo vão os dois, sem suas versões integrais.

É satisfação garantida ou seu dinheiro de volta ;-).

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