A Basílica de San Francisco, El Grande

Madrid é uma cidade rica em história e em encantos. Capital da Espanha, Madrid integra quase todos os roteiros turísticos do tipo “Europa em 12 dias” e todos cujo roteiro passe pela Espanha.

Dentro do roteiro obrigatório da cidade, há muita coisa pra ver: o Museu do Prado, o Reina Sofia, o Jardin Botánico, a Plaza Mayor e por aí vai. Em termos arquitetônico-religiosos, no entanto, as visitas guiadas limitam-se a uma rápida passagem pela Catedral de Almudena, defronte ao imponente Palácio Real dos Bourbons. Embora Almudena realmente valha a visita, está longe de ser a igreja mais bonita da cidade. Se quiser saber qual é, desça dois quarteirões na Calle de Bailén e conheça a Basílica de San Francisco, El Grande.

Reza a lenda que, antes da Basílica, havia ali um convento franciscano fundado pelo próprio São Francisco. Construída no estilo neoclássico durante o Século XVIII, no esplendor do Reino de España, San Francisco, El Grande surpreende pela combinação improvável de suprema imponência com indisfarçada humildade.

A começar pela cúpula, a terceira maior em diâmetro do planeta, atrás apenas do Panteão e da Basílica de São Pedro (e para desespero dos ingleses, que insistem em negar-lhe a posição, atribuindo-a à Catedral de Saint Paul). Depois, pela fachada, convexamente curvada para adaptar-se à estrutura circular do edifício. E, depois, pelo seu interior, ricamente pintado e decorado por alguns dos maiores artistas da época.

Projetada por Francisco Cabezas, San Francisco, El Grande foi um grande desafio arquitetônico. A enorme cúpula de 33m de diâmetro e 50m de altura desafiava a gravidade, insistindo em jogar seu peso para baixo. Foi preciso recorrer aos romanos e suas maravilhosas técnicas arquitetônicas para poder construir uma estrutura que a sustentasse. Utilizaram-se tijolos maciços, construídos ali mesmo, no local. Os tijolos mais próximos à base da cúpula têm espessura equivalente a três metros, diminuindo à medida que se aproxima do topo, até chegarem a uma espessura menor que um metro. Dessa forma, o peso se distribui de forma igual por toda a cúpula, sem colocar em risco a estrutura.

Mas é por dentro que a Basílica surpreende. O interior da cúpula é magnificamente pintado com motivos de Santa Maria dos Anjos.

Além do altar-mor, há as capelas laterais, dentre as quais se destaca a Capela de Cristo das Dores da Venerável Ordem Terceira.

Falando nisso, há ali um curioso posto avançado dos Cavaleiros da Santa Cruz, defensores da Terra Santa. Com alguma sorte, você pode cruzar com uma cerimônia de celebração dos novos cavaleiros.

No Museu, sobressaem-se pinturas de Francisco de Zurbarán e Goya. Algumas de suas mais belas peças – como São Boaventura recebendo Santo Tomás de Aquino e A predicação de São Bernardino de Siena – encontram-se lá.

Mesmo com toda essa riqueza arquitetônica e artística, a Basílica de San Francisco não perdeu a característica principal de seu santo protetor: a humildade. San Francisco chega mesmo a renegar o epíteto “El Grande”. Ela não pretende ser a maior e mais bela igreja do planeta. Muito menos a mais venerada. Tudo que ela quer é ser visitada por seus fiéis de vez em quando.

Mas isso é algo que não se explica em palavras. Só indo lá pra entender.

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