A datação pelo carbono 14

Todo mundo já viu ou ouviu falar da datação de objetos arqueológicos. “Ontem, cientistas italianos encontraram potes do século II a.C.”. Ou então: “Arqueólogos gregos descobrem vestígios de antiga civilização de 11 mil anos”.

E a pergunta que todo mundo se faz é: “Como é que os caras conseguem descobrir a idade dos achados arqueológicos?”

Não, eles não chutam. Quer dizer, nem sempre. Na maior parte dos casos, utiliza-se um método científico conhecido como “datação por carbono 14”. Mas como é que ele funciona?

Pra explicar isso, é necessário primeiro explicar o que é carbono 14.

Todo santo dia, a Terra é bombardeada por milhões de raios cósmicos. Mesmo sem reparar, você mesmo recebe uma quantidade absurda de radiação cósmica todos os dias, a maior parte dela na forma de calor e proveniente do Sol. Não se preocupe, no entanto, porque essa radiação é geralmente inofensiva.

Pois bem. Quando os raios solares atravessam a atmosfera terrestre, às vezes eles “colidem” com outros átomos, formando um raio cósmico secundário na forma de um nêutron energizado. Esse nêutron energizado invariavelmente colide com outros átomos. Quando um desses átomos é um átomo de nitrogênio 14 (sete prótons e sete nêutrons) – componente de 70% da atmosfera -ele acaba se transformando em um átomo de carbono 14, composto de seis prótons e 8 nêutrons, e um átomo de hidrogênio, composto por um próton e nenhum nêutron. O carbono 14 é radioativo e tem meia-vida estimada em 5.700 anos (HowStuffWorks).

Depois de gerado, o carbono 14 é absorvido pelas plantas no processo de fotossíntese e se incorpora mesmo na água. Em razão disso, sempre quem um organismo ingere comida ou bebe água, ele está incorporando uma quantidade X de carbono 14. Embora seja radioativa, a quantidade de carbono 14 no organismo tende a permanecer constante, porque, enquanto os átomos de carbono 14 estão sempre decaindo, ao mesmo tempo eles vão sendo repostos pela alimentação. Com isso, vai-se estabelecendo uma relação de equivalência entre o carbono 12 (normal) e o carbono 14 (radioativo) em todos os seres vivos.

Quando o organismo morre ou é enterrado, o carbono 14 presente nele vai naturalmente se decompondo aos poucos e sendo transformado novamente em nitrogênio 14. Como ele pára de se alimentar e, por conseqüência, de absorver carbono 14, a tendência com o tempo é de haver cada vez menos carbono 14 nos restos mortais. Constatando isso, os cientistas inventaram uma fórmula complexa capaz de calcular, a partir da quantidade de carbono 12 e de carbono 14 presentes no organismo, a idade do achado.

O que muita gente não sabe é que, por conta da “limitada” vida do carbono 14, a datação por esse método não vale para restos com mais de 70.000 anos. Para fazer datações mais antigas que isso, recorre-se a outros métodos inorgânicos.

Fora isso, nem sempre a datação por carbono 14 é precisa. Em alguns casos, por contaminação do ambiente onde se encontram os restos, a datação pode sujeitar-se a erros. Se, por exemplo, o achado arqueológico estiver sujeito a molhar-se em um córrego subterrâneo, sua datação pode ser prejudicada pela eventual renovação da quantidade de carbono 14 decorrente do escoamento de água. Além disso, nem sempre os organismos recebem a mesma quantidade de carbono 14 em todas as regiões do globo. Isso também pode falsear os resultados obtidos pela datação.

Mesmo com os problemas, a datação por carbono 14 continua sendo largamente utilizada pelos cientistas e é reconhecida como um método relativamente seguro para descobrir a idade dos achados arqueológicos. É preciso, no entanto, confiar no respeito ao método por parte de quem o utilizou. E, infelizmente, nem sempre isso acontece.

Esta entrada foi publicada em Ciências e marcada com a tag , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

1 Response to A datação pelo carbono 14

  1. Muito bom! Excelente informações. Permita-me indicar um bom conteúdo sobre a datação dos séculos: http://geografianewtonalmeida.blogspot.com.br/2013/03/datacao-contagem-dos-seculos-exercicios.html

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.