A ascensão de Hitler e do Nazismo

Explicar a Segunda Guerra Mundial é inútil sem tratar da ascensão do principal responsável por sua eclosão: Adolf Hitler e sua corja nacional-socialista. Para explicá-lo, contudo, é preciso voltar um pouco no tempo.

Hitler fora um soldado das fileiras alemãs na Primeira Guerra Mundial. Fez isso mesmo sendo austríaco. Para ele, todo o povo de origem germânica era um só, e a Alemanha deveria ser a ponta-de-lançapara a reunião de todos eles sob uma única bandeira. Não por nada, mas porque a Alemanha era disparadamente o maior e mais poderoso dos países cuja população descendia dos bárbaros germanos.

Abatido em combate, Hitler recebeu duas condecorações por bravura em ação, algo inédito para cidadãos não alemães. Isso serviu para tirar-lhe do anonimato e passar a gozar de certo respeito pelos soldados e por parte do povo alemão, ressentido com a assinatura da capitulação à Entente em 1918.

Seja por convicção ou por oportunismo, o fato é que Hitler utilizou a capitulação na guerra e a humilhação do Tratado de Versalhes como mola propulsora de suas aspirações políticas. Nisso, contou com a providencial ajuda de grande parte dos alemães, inconformados com o fato de o país ter capitulado sem ser exatamente derrotado. (É necessário lembrar que a Alemanha rendeu-se por exaustão, não por derrota propriamente dita).

Hitler juntou um bando de comparsas e formou o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. O vocábulo nazistas vem da abreviatura alemã da sigla:  Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei.

Com o apoio de descontentes e de parte do setor militar, Hitler tentou organizar um tosco golpe de estado. Ele começaria na Bavária, onde os nazistas derrubariam o governo instituído e, de Munique, espalhariam o movimento por toda a Alemanha. O Putsch da Cervejaria, em 1923, foi um rotundo fracasso. O Exército leal ao governo dispersou a bala os golpistas, matando vários e prendendo outro tanto. Hitler entre eles.

Na cadeia, Hitler escreveu amargurado o livro que viria a ser a bíblia dos nazistas: Mein Kampf. Nele, Hitler expôs de maneira crua suas teses racistas e anti-semitas. Novamente, não se sabe se fez isso por oportunismo ou convicção, pois o livro evocava a superioridade da raça alemã sobre as outras e impunha ao povo judeu a pecha de inimigo do Estado. No primeiro caso, a superioridade ariana serviria como lenitivo a um povo entristecido pela derrocada de um país que, após ser derrotado em batalha, enfrentava um dos piores surtos de hiperinflação da história. No segundo, o povo judeu era um alvo fácil, pois boa parte da indústria e do sistema financeiro alemão estavam em seu poder. Logo, era simples estabelecer um confronto direto entre o “povo oprimido” e “os judeus exploradores”.

Valendo-se do anticomunismo inato da população, Hitler fez com que seus partidários começassem a participar das eleições. Como o comunismo, à época, era uma “ameaça real”, os nazistas foram pouco a pouco sendo visto como barreira eficaz contra o avanço vermelho, mesmo fora do país.

No começo, o sucesso eleitoral dos nazistas foi bem restrito. Para se ter uma idéia, no auge da recuperação econômica do pós-guerra, em 1928, os nazistas elegeram apenas 12 deputados.

Mas havia uma depressão no meio do caminho.

Em 1929, a quebra da Bolsa de Nova Iorque jogou o mundo inteiro numa recessão sem precedentes. A economia alemã, altamente depentende das exportações, sofreu horrores. Na eleição seguinte, em 1930, os nazistas elegeriam 107. Em 1932, com 6 milhões de desempregados a deambular pelas ruas, a quantidade de nazistas no Reichstag mais do que dobrou: 230.

O sucesso eleitoral fez Hitler pensar em vôos mais altos. Na eleição presidencial daquele ano, resolveu concorrer contra Paul Von Hindenburg, herói de duas guerras (Franco-prussiana e da I Guerra Mundial). Com o apoio dos partidos de centro, Hindengurg venceu Hitler com sobras.

No Parlamento, entratanto, os nazistas continuavam a fazer barulho. Von Papen, primeiro-ministro alemão (ao qual eles chamavam de Chanceler), tentou compor com os nazistas um governo de união nacional. Só que Hitler não aceitava outro cargo senão o de Papen. Refugando a capitulação, Papen convocou novas eleições. O sufrágio de novembro de 1932 foi um duro baque para os nazistas: saíram de 230 para 196 cadeiras, um sinal de que o povo alemão já não acreditava mais em Herr Hitler como salvação da lavoura.

Só que o imponderável aconteceu. 11 dias após vencer nas eleições, Von Papen entregou o cargo de Chanceler. Hindenburg tentou demovê-lo da idéia, mas não houve jeito. Segundo historiadores, Von Papen queria a débâcle: pensava que Hitler como chanceler seria um fiasco e o povo, descontente, imploraria por sua volta. Nesse caso, seria um retorno triunfal, com direito a subjugar todos os outros poderes. Em português claro: Von Papen queria voltar como ditador. (Mais ou menos como aconteceu no Brasil em 1961 com Jânio Quadros).

Contrariado, Hindenburg nomeou Hitler como novo chanceler. A data foi 30 de janeiro de 1933. No centro do palco, Hitler comandaria agora as ações em cena.

O resto da história é conhecido. Mas sua continuação fica para uma outra oportunidade.

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