“S” ou Z”? “C” ou “SS”?

Já faz tempo desde o último post sobre dicas de português no blog, uma das seções favoritas de Icsa. Assim, para não a tornar uma sessão fantasma, vamos revisitá-la com algumas dicas de ortografia, que normalmente atormentam certas pessoas na hora de escrever textos.

No primeiro caso, o velho dilema entre o “S” e o “Z”. Não, não estou me referindo a exemplos tipo “casa” ou “caza”; isso seria óbvio demais. Mas a casos como “paralisar” ou paralizar”?

Para resolver esse tipo de dilema, basta buscar a raiz da palavra. Ou, em linguagem comum, buscar a palavra que deu origem ao verbo. No exemplo acima, o verbo origina-se da palavra “paralisia”, que se escreve com “S”. Portanto, o verbo seguirá a mesma regra de grafia: paralisar.

Por outro lado, quando a palavra-raiz não for grafada com S, a desinência verbal se formará com Z. Por exemplo: “atual”. Como na raiz não existe S, a formação do verbo obrigatoriamente implicará a grafia com Z. Portanto, o verbo correspondente será “atualizar”, e não “atualisar”.

No caso do “C” ou “SS”, a questão fica um pouco mais complexa. Para isso, normalmente é necessário saber a etimologia da palavra, isto é, a sua origem vernacular.

Quando a palavra tem origem indígena ou estrangeira,  sua grafia será sempre com C. É o caso, por exemplo, de cipó e cacique. É o caso, também, do famoso queijo que compõe pizzas pelo mundo inteiro: o mozzarella. No vernáculo, mozzarella, por ter origem italiana, deveria ser grafado como muçarela, embora alguns dicionários registrem a possibilidade de utilização de mozarela. Mas o SS, nesse caso, é equivocado do ponto de vista ortográfico. Seu uso e popularização deve-se dar, provavelmente, por conta da “correspondência” entre a matriz italiana e sua correspondente portuguesa. Já que eles usam doppia Z, vamos usar  o duplo S.

Quando o C for seguido das vogais O ou U, será necessário colocar a cedilha para preservar o valor fonético. É o caso de palavras como açúcar. Fora isso, usa-se C também sempre que este for precedido por ditongo. É o caso de foice, eleição, caiçara, etc.

O SS reserva-se para uma variedade bem grande de casos. Daí a sua dificuldades. Além dos verbos do pretérito imperfeito do subjuntivo (amássemos, p. ex.), há os casos dos verbos terminador em DER, DIR, MIR e TIR, cujos substantivos correspondentes são formados com SS. Exemplos: ceder – cessão; regredir – regressão; imprimir – impressão; admitir -admissão.

Também se usa o SS quando ele se situa entre vogais e é necessário preservar o valor fonético da palavra. É o caso de abissal, passado e massa, sem os quais o duplo S transformaria o fonema em Z: “abizal”, “pazado” e “maza”. Com essa regra, aliás, você escapa de problemas com palavras femininas como condessa e abadessa, e o superlativo absoluto sintético, os famosos -íssimos: belíssimo, caríssimo, e por aí vai.

Bom, essas são apenas algumas dicas pro caso de não haver um dicionário à mão. Havendo-o, não hesite em consultá-lo. Melhor do que correr o risco de errar por confiar demais na memória.

Anúncios
Esse post foi publicado em Dicas de português e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s