Se há uma certeza na vida é a morte. Como gostava de dizer meu professor de Medicina Legal, cada segunda de vida é um segundo de morte. Ou, por outro lado, a cada segundo que vivemos dispomos de menos um de vida. Salvo acidentes, doenças fatais ou circunstâncias outras, o ser humano foi feito pra morrer por envelhecimento. Mesmo sendo uma das certezas mais antigas da ciência, até hoje o processo de envelhecimento é um mistério para médicos e cientistas.
Ninguém ao sabe ao certo exatamente por que envelhecemos. Sabe-se apenas que, a partir de determinado ponto da vida, sinais de idade começam a abundar pelo corpo inteiro. Rugas, cabelos brancos, dores musculares e nas articulações, é como se o nosso prazo de validade estivesse começando a viver. De certo modo, é mais ou menos isso que acontece.
Sempre tive uma teoria de que o prazo de validade do ser humano é de 10.000 dias. Algo em torno de 27 anos e meio. Nessa época, para usar uma expressão cara ao @jgveras, vocÊ atinge o auge da vida. Daí pra frente é só descida.
Muitos estudos demonstram que, de fato, aos 27 anos o processo de envelhecimento passa a ser mais acentuado. O auge intelectual do sujeito ocorreria aos 22 anos. Não à toa, a maioria dos prêmios Nobel da história devem seus louros a teorias desenvolvidas mais ou menos quando tinham esse idade (Einstein, por exemplo).
Mas por que envelhecemos?
A teoria mais aceita é a genética. Salvo os neurônios, todas as células do nosso corpo foram feitas pra morrer rapidamente. Entretanto, antes de morrerem, elas se replicam em uma nova, justamente para substituí-la. Aí, ficam elas por elas. Sai uma, entra outra, e tudo continua na mesma.
A questão é que, a partir de determinado momento, o processo de replicação das células começa a falhar. Ou elas deixam de se replicar, ou a réplica produzida não é, assim, tão perfeita como a anterior. Por isso aparecem rugas, cabelos brancos, manchas na pele, etc. O corpo já não consegue repor mais as células que estão se perdendo com a mesma qualidade de antes.
Por que isso acontece?
Ninguém sabe ao certo. A hipótese mais provável passa pelo estudo de uma enzima conhecida como telomerase.É ela quem controla o processo de replicação celular. Lembra-se da estrutura do DNA? Pois é. Uma combinação de pares de moléculas estruturada de forma helicoidal. Nas pontas, há o telômero – estrutura genética mantida pela telomerase.
O problema é que replicar uma célula não é assim tão fácil. Sempre há pequenas falhas. Mas o telômero se encarrega de consertá-las, adicionando material genético ao que ficar faltando. É ele, portanto, quem faz o “acabamento final” da replicação.
Só que, a cada vez que uma célula se replica, o telômero se encurta. E, a partir de determinada quantidade de vezes, não há mais telômero pra salvar a pátria. Resultado? Envelhecimento.
Há quem defenda que o tamanho dos telômeros é determinado pela herança genética do indivíduo. É como se já nascêssemos predestinados a ter “X” número de replicações celulares. Quem tivesse mais sorte, teria mais replicações e, portanto, envelheceria mais tarde. Os menores, coitados, dependeriam mais cedo de hidratantes e botox.
Pode ser. Mas o fato é que vamos envelhecer. Mais hora, menos hora. E envelhecer é bom.
Não concorda?
Considere a alternativa.