A Notre Dame de Paris

Quando alguém visita Paris pela primeira vez, o primeiro lugar para o qual ele vai correndo é a Torre Eiffel. Depois dela, se eu tivesse que apostar, seria a Catedral de Paris, mais conhecida como a Notre Dame.

A Notre Dame é um espetáculo. Ainda no século XXI, essa construção do século XII impressiona pela imponência. Situada no centro de Paris (Cité), a Notre Dame é o ponto de partida da sucessão de círculos concêntricos que identificam os bairros de Paris (os famosos arrondissements).

Não à toa. A cidade de Paris erigiu-se ao redor da Notre Dame. Desde quando era apenas um vilarejo às margens do Sena, até tornar-se uma das maiores megalópoles e a cidade mais bonita do mundo, a Notre Dame sempre foi uma referência geográfica da cidade.

De fora, a Notre Dame surge majestosa, com seus imensos pórticos ladeados por duas torres. Desde logo percebe-se a influência da arquitetura gótica. Ao invés das imponentes e pesadas fachadas de estilo romano clássico, as paredes finas são ricamente decoradas com vitrais e rosáceas, cheias de detalhes. Dentro, a seqüência de colunas laterais denuncia a intenção do autor de fazer abóbadas cada vez mais elevadas, como se a catedral não tivesse fim, de quem a olha debaixo.

Os vitrais são uma atração à parte. Aliás, os vitrais são a principal atração da Notre Dame. Não há lugar nenhum onde a fresta de luz que os atravessa reproduza no interior da igreja um espetáculo tão difuso de cores: azul, vermelho, verde. Pintados à mão, os vitrais retratam imagens bíblicas (sem muita coerência, é verdade).

Para entrar na catedral, não se paga nada. No entanto, se quiser subir a torre para enxergar Paris de cima, paga-se EU$ 10,00, creio eu. Dentro da catedral, há ainda a parte do “Tesouro”, relíquias religiosas como trajes cerimoniais, crucifixos e – pra quem acreditar – a coroa de espinhos colocada em Jesus Cristo. Apesar disso, a Notre Dame encanta mais por sua história e pela arquitetura do que propriamente pelo religiosidade.

Abaixo, na praça em frente à Notre Dame, pode-se ainda visitar um museu que conta a história de Paris desde a ocupação celta até os dias atuais. É possível conhecer as fundações da catedral, desde quando ela foi construída e, assim conhecer um pouco da história da catedral de Paris. Quem tiver o Paris Museum Pass, não paga a entrada.

Boa parte da fama da Notre Dame deve-se a Victor Hugo. No seu livro Notre-Dame de Paris, Victor Hugo descreve a paixão de um corcunda que habitava a catedral (Quasímodo) por uma cigana (Esmeralda). Victor Hugo declarava abertamente que o romance tinha por objetivo conscientizar o povo francês da necessidade de se preservar esse patrimônio arquitetônico da humanidade. Se a catedral já era tão famosa antes do romance, eu não sei. Mas que certamente ficou famosíssima depois dele, não tenho dúvidas. Se esse era realmente o objetivo de Victor Hugo, pode-se dizer que ele foi alcançado.

Menos mal. Alguém poderia imaginar Paris sem uma catedral à sua altura?

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