Se há um efeito colateral que invariavelmente surge quando aparece um tosco tipo o Bolsonaro é o recrudescimento da onda “politicamente correta”. Poucas coisas são irritantes quanto isso.
É irritante, em primeiro lugar, porque é hipócrita. Hipócrita porque todo ser humano, por melhor que seja, tem preconceitos. Alguns mais, outros menos, é verdade. E também é fato que alguns preconceitos são piores do que os outros. Mas até prova em contrário, ainda não nasceu o sujeito completamente puro de alma e coração, inteiramente despido de preconceitos.
Quer um exemplo? Você tá andando sozinho na rua à noite. Ou de dia mesmo, vai. Na sua direção vem um cafuzo esgulepado, todo sujo, barba por fazer, com uma cara de mau. O que você faz? Segue no mesmo caminho ou atravessa a rua para o outro lado? É claro que atravessa. Você está sendo “preconceituoso”? Em tese, sim. Você não tem nenhuma prova de que o sujeito é criminoso. Ele pode ser só pobre, sem ser bandido. Mas você não vai colocar sua segurança em risco pra tirar a prova dos nove.
É irritante, em segundo lugar, porque há um certo “preconceito” contra a palavra “preconceito”. Vou dar um exemplo: piadas. 11 em cada dez piadas são baseadas em algum tipo de preconceito: cor, raça, opção sexual, estatura, sexo e até cor de cabelo. E o que é pior: na maior parte dos casos, as piadas são, por assim dizer, “infundadas”. Por que se associa a cor do cabelo loiro da mulher à burrice? Eu mesmo já conheci algumas mulheres burras, e a burrice era altamente democrática: atacava morenas, negras e louras sem distinção. Por que as louras ficaram estigmatizadas? Não sei.
Mas a questão não é essa. A questão é saber se, ao reproduzir uma piada sobre loura, eu posso ser chamado de “preconceituoso”. A meu ver, não. “Ué? Mas a piada não é preconceituosa?” É. Mas isso não quer dizer que você seja preconceituoso. Uma piada é reproduzida para divertir o próximo. A intenção é simplesmente rir. Não há, na maior parte dos casos, qualquer maldade de quem conta uma piada, mesmo baseada em estereótipos.
Quem assistiu Borat vai lembrar que o personagem principal adora descer o pau nos judeus. Há inclusive uma cena de uma corrida em que um boneco de uma judia “põe” um ovo. Aos gritos, Borat pede às crianças: “Esmaguem-no!! Esmaguem-no antes que ele nasça!!”. Sacha Baron Coen, autor e ator do filme, é judeu.
Ser politicamente incorreto, no mais das vezes, não tem nada demais. Na verdade, é um bálsamo encontrar alguém assim, que fala o que pensa, e não tenta mascarar quem é.
Há limites, é claro. Não se pode confundir politicamente incorreto com socialmente patológico. Mas um pouco de incorreção política não faz mal a ninguém. Faz bem pra pele e ajuda a tornar a vida menos chata. Ninguém quer deixar o mundo inteiro “em tom pastel”.
a ultima é a campanha contra o preconceito no voley porque durante um jogo chamaram um homossexual de gay. ora, pois, as meninas do futebol são rolutadas de homossexuais, sapatas, etc e ninguém nem lembra do politicamente correto, de lançar campanhas contra o preconceito, etc. mas basta a torcida, numa clara e evidente vontade de destabilizar o time adversário, chamar um jogador homossexual de gay… pronto. os defensores do politicamente correto se arvoram todo!!
Enquanto lia seu comentário, Rômulo, estava aqui a me lembrar da “polêmica” que o Vampeta criou quando, antes de um clássico contra o São Paulo, chamou os tricolores de “time de bambis”. Hoje, é só: “Vamos fazer tudo pra ganhar, mas respeitando o adversário”; “Vamos fazer o que o professor mandou; e, é claro, o clássico “Não tem mais time bobo no futebol”. Que falta que fazem jogadores espontâneos para animar as partidas de futebol. Um abraço.