Um negro, uma história

O melhor antídoto contra o racismo em tempos de Jair Bolsonaro é lembrar a história.

Serve como bálsamo olhá-la e perceber como negros, a despeito de todo o preconceito, conseguiram mostrar pra todo mundo do que eram capazes.

Um dos melhores exemplos desse tipo de caso, um verdadeiro símbolo contra a opressão no esporte, chama-se Arthur Ashe.

Negro, baixinho e desengonçado, Arthur Ashe não era o protótipo de um atleta profissional. Quem olhava pra ele ainda menino dificilmente poderia achar que dali sairia alguma coisa.

Mas saiu.

Baixo para o basquete, franzino demais para o futebol americano, foi num dos esportes mais elitistas que existe que Arthur Ashe conseguiu se destacar: o tênis.

Dono de uma técnica refinada, Ashe era um jogador agressivo. Sua estratégia era baseada no saque/voleio. Tinha uma saque poderoso e uma esquerda que, além de potente, era bonita de se ver. Durante a partida, pressionava o rival até abalá-lo psicologicamente e, com isso, vencia geralmente de forma arrasadora. Nesse aspecto, foi um verdadeiro predecessor de Pete Sampras e cia. ltda.

Com seu estilo agressivo, ganhou o US Open em 1968 e o Australian Open em 1970.

No entanto, foi em Wimblendon que Arthur Ashe fez história.

Numa final eletrizante com aquele que viria a ser o maior papa-tudo de torneios de tênis de todos os tempos – Jimmy Connors – Arthur Ashe, 10 anos mais velho, bateu Connors por 3 sets a 1 (6/1, 6/1, 5/7 e 6/4).

Até hoje, Ashe foi o único negro a ganhar o Aberto da Inglaterra.

Além de ser um tenista incomparável, Arthur Ashe usou sua projeção no esporte pra fazer a diferença em favor de sua raça.

Desafiou o boicote internacional à África do Sul e a própria política do Apartheid e indo behind enemy lines mostrar seu tênis refinado.

Como sindicalista, Ashe foi um dos principais articuladores da criação da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), hoje responsável pela organização dos torneios de tênis e do ranking de tenistas do mundo todo.

Como se tudo isso não bastasse, Ashe consegui fazer de uma tragédia pessoal mais uma bandeira contra a discriminação. Tendo contraído AIDS numa cirurgia de coração, Arthur Ashe assumiu publicamente a doença e passou a fazer campanha contra a discriminação e a favor de mais investimentos governamentais para pesquisar uma cura para o mal.

Já no final da vida, Ashe resolveu doar parte de sua fortuna para uma fundação, a Arthur Ashe Institute for Urban Health (Instituto Arthur Ashe para Saúde Urbana), dedicada a resolver questões de saúde pública onde esta não funcionasse adequadamente.

Após sua morte em 1993, os americanos resolveram homenageá-lo batizando o maior estádio do complexo de Flushing-Meadows – onde acontece o US Open, com o seu nome.

Negros como ele fizeram a história do esporte e do mundo. Por que ainda há tanta gente querendo negar isso?

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4 respostas para Um negro, uma história

  1. Mourão disse:

    Olha Arthur, não nutro nenhuma simpatia pelo Bolsonaro,muito pelo contrário, mas acho que ele entendeu mal a pergunta.

    • arthurmaximus disse:

      Concordo, Comandante. Acho que nem ele seria tão anta de dizer isso assim, de modo tão descarado. Mas que o sujeito é preconceituoso, disso ninguém duvida. Abraços.

      • César Mourão disse:

        Quanto a ser uma anta, talvez você esteja ferindo quem não tem culpa: a própria.

      • arthurmaximus disse:

        É possível. Mas ela dificilmente vai ligar pra isso. Afinal, a anta é feia, burra, mas vai sempre bem, obrigado. Abraços.

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