Aproveitando a deixa do post sobre Las Meninas, vamos muchachos a la capital de España.
Madrid fica a meio caminho entre as grandes metrópoles européias (Londres, Paris) e as outras capitais, digamos, suburbanas (Bruxelas é o principal exemplo). Talvez aí esteja seu grande charme.
Como disse no post sobre a tela de Velázquez, Madrid não é especialmente bela. Não é especialmente divertida. Não tem o mesmo encanto geográfico que outras cidades têm. Mas, ainda assim, é uma das paradas obrigatórias pra você que deseja conhecer o mundo.
Ok, bad news first.
Os espanhóis não são nada simpáticos. Sabe aquela história de “A França sem os franceses”? Bem, isso se aplicaria mais aos espanhóis. Os sujeitos são realmente grossos, especialmente os madrilhenos, que adoram achar que Madrid é a capital do mundo. Acho que isso faz parte de um certo tipo de nostalgia quinhentista, de quem dividia o mundo com Portugal no tempo das grandes navegações.
Não é o Brasil, mas se o que te agrada na Europa é passear por aí, a esmo, sem saber pra onde ir, porque tudo é seguro, é melhor botar as barbas de molho. Tudo bem que Madrid está a léguas de distância de qualquer capital brasileira em termos de violência, mas, para níveis europeus, Madrid está longe de ser segura. Há trombadinhas mil, como em todas as outras capitais européias, mas há violência mesmo. Do tipo dois sujeitos ficarem de tocaia pra fazer “saidinha” do caixa bancário, usando faca ou mesmo a força física (estrangulamento), pra tomar o seu rico dinheirinho.
Há também muita prostituição. E, sim, muitas delas são brasileiras (daí o preconceito dos espanhóis contra as brasileiras e os problemas que estas enfrentam na imigração espanhola). Na Gran Vía, é possível vê-las aos montes. Se você viaja com filhos, evite esses lugares à noite.
Mas Madrid não são só coisas ruins.
Uma das coisas boas é poder perguntar se o cidadão fala “espanhol” sem levar um pito. Sim, porque se você inventar de dizer a um catalão que fala “espanhol” em vez de castellano, pode se preparar pra levar grito.
O sistema de metrô é bem razoável, embora os trens sejam um pouco apertados. Mas você consegue ir a todo canto utilizando-o, até mesmo para o aeroporto (o que é uma mão na roda se você quiser economizar no táxi).
Em comparação com o resto da Europa, os hotéis são bem melhores. Até parece que você está no Brasil (sim, na média os hotéis daquei são bem melhores que os de lá). A diferença principal está no café-da-manhã. Você vai rir de satisfação quando, depois de um tour pelo resto da Europa, encontrar na refeição matinal frutas (acredite: elas são uma raridade no resto do continente).
Em Madrid há diversões pra todos os gostos: museus, parques, sítios históricos, igrejas, diversão noturna… opções não faltam, o segredo é saber onde estão as melhores coisas de cada tipo de saída.
Algumas paradas, no entanto, são obrigatórias.
Primeira delas, o Museo del Prado. Além das pinturas de Velázquez (incluindo Las Meninas), há um grande coleção de pintores espanhóis (Goya, El Greco, Zurbarán), italianos (Tintoretto, Veronese, Tiepolo) e flamengos (Van der Weyden, Bosch, Van Dyck). Desses, talvez o principal seja o Jardim das Delícias, de Bosch, uma das telas mais impactantes que você vai ver na vida.
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Ainda falando de museus, a segunda parada obrigatória é no Reina Sofia. Afinal, você não vai a Madrid e deixar de ver Guernica, não é verdade? A tela enche uma parede inteira do museu, e você gasta um bom tempo do passeio só nela.
Saindo dos museus, há ainda a Plaza Mayor, bem no meio do centro histórico de Madrid. À noite, a Plaza bomba. Se tiver sorte, dê um pulinho no Mercado de San Miguel, que fica ao lado da Plaza Mayor. Lá você pode degustar vinhos, queijos e o delicioso jamón serrano típico da espanha a preços bem camaradas.
Outra parada de lei é o Parque del Retiro, onde você pode caminhar e se admirar com as construções históricas (Monumento a Afonso XII e o Palácio de Cristal) em perfeita harmonia com o verde predominante do parque.
No quesito paradas obrigatórias, há ainda o Palácio Real e a Catedral de Almuneda.
Sem mais, vamos ao que interessa: um roteiro básico para Madrid em cinco dias.
Primeiro dia: chegando de viagem, arrume as coisas no hotel e siga direto pra Gran Vía. Ande desde a Plaza de Alcalá até a Plaza de España. Se ainda estiver disposto, dê uma esticada até a Puerta del Sol. À noite, nos finais de semana, ela fica cheia de gente, passeando, comento e se divertindo ao ar livre. Se não, aproveite pra fazer suas compras logo de cara, já que El Corte Inglés e a FNAC estão logo ali, à distância de uma caminhada. À noite, procure um restaurante honesto por ali mesmo.
Segundo dia: Dia do Prado. Separe um turno inteiro para o museu, pelo menos. Ao contrário do Louvre, em um dia inteiro você pode conhecer se não o museu inteiro, boa parte dele. Se estiver viajando on budget, espere até às 18h que a entrada é franca (mas você só terá duas horas pra ver o museu inteiro). De lá, anda mais um pouquinho e vá até o Parque del Retiro. Caminhe, descanse nos bancos e aproveite a paisagem. O local é ideal para tirar fotos. À noite, busque um restaurante no Paseo del Prado, uma bela avenida arborizada que fica em frente ao museu. Aproveite pra, depois de comer, caminha um pouco pra ajudar na digestão (hehehe).
Terceiro dia: Visita obrigatória ao Reina Sofia. Você pode não ver mais nada lá – especialmente se você não é muito fã de arte moderna. Mas você tem que ver a Guernica e sentir o horror que sai daquele painel imenso. Se ainda estiver disposto, siga para o Museu Thyssen-Bornemisza, uma das mais fantásticas coleções de arte privada do mundo. Se não fosse por Guernica, entre o Reina Sofia e o Thyssen, não hesitaria em optar pelo segundo. Se não quiser mais saber de museu, siga para o Palácio Real. Após conhecer os aposentos d´El Rey, vá para a Catedral de Almuneda, que fica ao lado. Se você é daqueles que gosta de teorias conspiratórias e leu o Código da Vinci, é lá que está enterrado Josemaría Escrivá de Balaguer, fundador da Opus Dei. À noite, vá à Plaza Mayor aproveitar a noite e, se tiver oportunidade, dê uma esticadinha até o Mercado de San Miguel.
Quarto dia: dia de sair de Madrid. Pergunte no hotel por uma excursão à Toledo, a antiga capital da Espanha e uma das mais bonitas cidades medievais conservadas no mundo. Se puder, estique a visita até o Vale dos Caídos, uma magnífica igreja construída dentro da Rocha por Franco em homenagem aos mortos na Guerra Civil Espanhola. Fora de Madrid, há ainda a opção de El Escorial, o palácio que abriga os restos de todos os monarcas espanhóis.
Quinto dia: pra desopilar – é seu último dia – vá visitar o Templo de Debod, um curioso templo egípcio que fica no meio da cidade, trazido e remontado, pedra por pedra, desde o Egito. Do contrário, se o seu negócio é igreja, vá visitar a Catedral de San Francisco, El Grande. Fica um pouco depois do Palácio Real, e contém a terceira maior cúpula em diâmetro do mundo (só perde para o Panteão, em Roma, e a Basílica de São Pedro, no Vaticano).
Pronto. Você conheceu Madrid. Dá pra virar a página?
A resposta é: não. Madrid vale uma segunda visita. Há muito mais a descobrir na sedutora capital espanhola.