A revolta dos consumidores

Sem tem uma coisa para a qual a Internet revelou-se uma arma poderosa foi para difundir a revolta de consumidores

Nos últimos dias, tem feito sucesso no Youtube um vídeo de um chinês mandando detonar uma Lamborghini a marretadas. O piti custou ao chinês a bagatela de US$ 750.000,00, preço estimado do carro na China. Duvida? Veja abaixo:

Como no Brasil não se fabricam ricos na mesma quantidade em que são fabricados na China, vai demorar um tempo até que apareça caso semelhante por aqui.

Enquanto isso, vamos nos virando com o que temos.

Um sujeito comprou uma geladeira Brastemp. Mas a geladeira – digamos assim – não era bem uma Brastemp. Com vazamento de gás, o consumidor levou a geladeira à assistência técnica. De lá, a geladeira voltou com o mesmo problema. Pra piorar, o Natal se aproximava.

Passados 90 dias, Natal e Reveillon, o consumidor desistiu. Resolveu montar um protesto em frente à sua casa. Pra piorar (neste caso, para a Brastemp), resolveu gravar um vídeo e postar no Twitter e no Youtube. O sucesso foi imediato. Uma semana depois, a Brastemp deu-lhe uma nova geladeira. Abaixo, o vídeo com o protesto.

Em outro caso, uma consumidora chamada Daniely Argenton, advogada, não teve a mesma sorte. Daniely comprara um Renault Mégane. “Dois anos de garantia”, assim jurava a propaganda do carro. Não foi bem isso que Daniely teve.

Com algum tempo de uso, Daniely notou que o carro perdir potência ao acelerar, ao invés do contrário. Em ultrapassagens, a coisa ficava arriscada.

Depois de muitas idas e vindas na concessionária, Daniely tentou recorrer às vias judiciais. Com menos recursos do que seu congênere chinês, Daniely resolveu fazer algo mais efetivo, após a via judicial ser travada pela Renault: iniciou uma campanha divulgando sua situação. Montou um site (www.meucarrofalha.com.br), em que conta toda a sua história e a saga por que vem passando desde que comprou o automóvel. O mais curioso é o contador de tempo do carro parado: 3 anos, 5 meses, 10 dias e 13hs (enquanto escrevo esse post).

Ao contrário da Brastemp, a Renault resolveu partir pra ignorância: entrou com uma ação de danos morais contra Daniely, e ainda por cima conseguiu uma liminar determinando que retirasse o site do ar, assim como se abstivesse de “difamar” a empresa em redes sociais.

Como diria Chico Buarque, toda pessoa em situação de poder tem que ter o “ministro-do-vai-dar-m….”. O efeito – é óbvio – foi o contrário. Ao invés de calá-la, a ação multiplicou os acessos ao site e a divulgação do seu caso ganhou o país.

Podem apostar: em alguns dias vão dar um jeito de entrar num acordo com ela, só pra fazer cessar a propaganda negativa.

O fato é que, com a Internet, livramo-nos das amarras da mídia. Na verdade, entramos dentro dela. Um computador com conexão na mão e uma idéia na cabeça podem fazer um estrago muito maior do que qualquer ação judicial.

Tremei, empresas inimigas dos consumidores. Tremei.

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