Muita gente se pergunta por que os Estados Unidos estão nessa de Margareth Menezes (“Não sei se vou ou se fico, não sei se vou ou se fico…“) em relação a intervir militarmente na Líbia.
Há muitas explicações pra isso. Até onde a vista alcança, são três as principais razões:
A primeira e mais óbvia são: Afeganistão e Iraque. O exército americano está ocupado – e suficientemente ocupado – cuidando das desastradas intervenções militares americanas nesses dois países. Ocupados à revelia, com uma população fundamentalmente anti-americana, é difícil imaginar que os americanos saiam de lá tão cedo, caso não queiram ser substituídos pelo caos completo. E se já é difícil cuidar de duas guerras simultâneas, que dirá três.
A segunda razão é a seguinte: no Afeganistão e no Iraque, havia muita gente disposta a fazer o papel de “governo títere” dos EUA. Em outras palavras: não faltavam candidados a testa-de-ferro. Isso é uma grande vantagem, considerando que a comunidade internacional dificilmente aceitaria um “comando direto” dos Estados Unidos em um país estrangeiro. Na Líbia, até agora não se sabe se os rebeldes estariam dispostos a, em troca da ajuda militar americana, submeterem o governo pós-Kaddhafi aos interesses americanos. Sem garantias de governo amigo, é difícil imaginar que os americanos arrastem suas fichas no escuro.
A terceira razão é econômico-militar: ao contrário de Mubarak, Kaddhafi “se preparou” para eventualidades. Fez um poupança graúda (estimativa de US$ 70 bi) pro caso de uma emergência como essa. É com esse dinheiro que Kaddhafi contratou mercenários estrangeiros na hora em que seus militares começaram a tirar-lhe o chão dos pés. Juntando a isso a completa falta de escrúpulos quanto a chachinar 2/3 da população se necessário for, Kaddhafi tem conseguido, aos trancos e barrancos, se sustentar no poder.
O fato é que, nas atuais circunstâncias, é muito difícil que os EUA embarquem em mais uma aventura militar no oriente. Muitos dos conselheiros militares americanos ainda trazem as costas marcadas da época da guerra fria, quando os americanos ajudaram os afegãos contra os soviéticos.
Pra quem tiver curiosidade, boa parte dessa guerra secreta afegã está bem contada no filme Jogos de Poder, com Tom Hanks, Julia Roberts e Philip Seymour Hoffman. O filme conta a história de como os americanos, ao ajudar com dinheiro e armas os mujahideen, contribuíram para transformar o que era uma incursão num terreno pantanoso em um verdadeiro inferno para os russos.
Depois disso, os EUA abandonaram o país à própria sorte, deixando para os Talibãs o controle do país, que depois viriam a dar abrigo a Osama Bin Laden, mentor dos ataques de 11 de setembro. Se os russos tivessem antevisto isso, provavalmente amaldiçoariam os americanos com o efeito Orloff: “Eu sou você amanhã“.
Abaixo, o trailer do filme: