Cuidados na compra da casa própria

Todo mundo sonha com carro novo, do ano, último modelo. Mas se tem uma compra para a qual o sujeito realmente precisa se planejar, é a da casa própria.

O primeiro passo é definir que tipo de imóvel atende a suas necessidades: casa, apartamento, casa em condomínio? Se você se adapta melhor a um tipo de imóvel, evite comprar um de outro tipo. Exemplo: se você não gosta de vizinhos aperriando seu juízo e adora colocar o som nas alturas sem que alguém venha a reclamar, não invente de comprar um apartamento, se não é dor de cabeça na certa.

Segundo passo: qual o tamanho da minha família? Há perspectivas de crescimento (leia-se: filhos)? Isso é fundamental para você não comprar um apartamento além ou aquém das suas necessidas. Se você compra um 2 quartos pra você e sua mulher, pensando no quarto de casal e num escritório, vai ter dor de cabeça se um pimpolho aparecer no meio do caminho. Se você é sozinho no mundo, comprar um apartamento de 4 quartos é uma boçalidade; você vai acabar se perdendo lá dentro. Isso sem falar na trabalheira que vai dar pra cuidar desse espaço todo.

Terceiro passo: onde quero morar? Não tem pra onde escapar. Se você mora, por exemplo, numa cidade litorânea, e adora acordar dando bom dia pro mar, junte o dinheiro que for, mas não compre um apartamento na periferia. Lembre-se: sua casa é seu santuário, um local de recolhimento e satisfação, não para ficar remoendo o imóvel que você queria ter comprado.

Nesse ponto, a definição da localização é tudo. Se você não conhece as redondezas do bairro, procure saber com conhecidos ou com moradores antes de pensar em comprar um apartamento por ali. Além disso, verifique bem as vizinhanças do imóvel. Atenção especial para duas coisas: primeiro, se há bares, boates ou casas de show por perto (Acredite; você não vai querer passar o resto da vida sem dormir e a reclamar da Prefeitura porque o disque-silêncio não funciona); segundo, veja se é fácil estacionar por perto. Comprar imóveis em avenidas movimentadas ou em áreas de estacionamento restrito (as famosas zonas azuis) pode significar problema se você tiver de receber visitas. A não ser que você compre um daqueles supre triplex à la Luciano Huck, com vaga pra 10 carros na garagem.

Quarto passo: se for comprar um imóvel novo, não deixe de visitar obras já concluídas da construtora. Pergunte pela qualidade do acabamento, se houve problemas na construção, se a construtora é expedita na solução dos defeitos, etc. Visite, se possível, várias obras, com idades de construção diferentes. Assim você pode ter uma boa idéia se a construtora é permanentemente boa ou se é “de fases”.

Quinto passo: cuidado com o condomínio. Lembre-se: ainda que você compre um imóvel financiado, um dia você vai terminar de pagá-lo. Mas o condomínio é uma prestação pro resto da vida. Por isso, salvo se for necessário, evite apartamentos tipo “1 por andar”. Quanto mais gente, melhor o rateio das despesas. Além disso, se puder escolha imóveis em que o consumo de água e gás é individualizado. Desse modo, você escapa da armadilha de pagar pelo desperdício dos outros.

Sexto passo: financiamento. Pesquise bem antes de fechar com o banco. Se você for funcionário público, alguns deles (como a Caixa e o BB) têm convênio para empréstimo imobiliário, com taxas bem mais camaradas do que a média do mercado. Evite os financiamentos das construtoras, porque geralmente são bem mais caros do que os oferecidos pelas instituições financeiras.

Sétimo passo: esse é o mais importante, a documentação. Muitíssimo cuidado nessa hora. Pergunte pela matrícula do imóvel e vá no cartório de imóveis pedir uma certidão atualizada. Com isso você pode verificar a regularidade do bem (evitar, por exemplo, comprar imóveis construídos em áreas públicas) e ver se está tudo ok (se não há penhora ou algum outro gravame sobre o imóvel). Em caso de imóvel em construção, verifique se foi feita a incoporação, se a construção está registrada na Prefeitura e pesquise nos sites da Receita Federal, da Sefaz (Estadual) e da Sefin (Municipal) se a construtora tem alguma pendência tributária. Se tiver, fuja: isso poderá comprometer o registro da construção e, com isso, o registro do próprio imóvel. Em outras palavras, você não conseguirá passá-lo pro seu nome nem financiá-lo com alguma instituição bancária. Se você estiver comprando de uma pessoa física, não se esqueça também de pesquisar nos sites da Justiça Federal e da Justiça Estadual do domicílio do vendedor. Às vezes – e isso não é raro – o sujeito está devendo a Deus e ao mundo, e está tentando se desfazer dos bens pra escapar de uma futura execução judicial. Nesse caso, pouca gente sabe que se você comprar um imóvel de um cara assim, mesmo estando de boa fé, poderá ter sua casinha penhorada pra pagar as dívidas do salafrário.

Em todo caso, se tiver dúvida, não hesite: procure um advogado pra orientá-lo. Mesmo que você desembolse algum dinheiro, essa grana vai evitar dores de cabeça muito maiores mais na frente.

Não se esqueça: um imóvel é pra vida toda.

 

 

 

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