Sugestão de música: The Who

A última trilha sonora do momento me obriga a trazer para o blog algumas palavras sobre uma das maiores bandas de rock de todos os tempos: The Who (Quem inventar de fazer trocadilho perguntando “Quem?” pode ir ver se estou escrevendo na esquina).

The Who era uma banda de rock, mas não era uma banda de rock comum. Havia um propósito na banda. Fazer música não era só escrever rimas para as multidões, mas passar uma mensagem de mudança, de ir-contra-tudo-que-está-aí. Eram as bases do movimento Punk.

O líder e vocal da banda, Pete Townshend, virou um dos líderes do movimento. Mas a intenção do Punk não era fazer simplesmente contracultura, quer dizer, não era simplesmente destruir tudo-que-está-aí e não colocar nada no lugar. A briga deles não era contra a cultura, mas contra a cultura estabelecida; em suma, era uma briga contra o establishment.

Obviamente, muita gente oportunista e de cabeça oca acabou deturpando a idéia inicial. Ser Punk virou sinônimo de ser arruaceiro, beberrão, resmungão… rebelde-sem-causa, enfim.

Desiludido, Pete Townshend não se deu por achado. Escreveu uma obra-prima como resposta aos iconoclastas alienados. We won´t get fooled again advertia: nós não vamos ser enganados de novo. No meio da letra, ela estoca:

Change it had to come, we knew it all along

A mudança tinha que vir, a gente sempre soube

We were liberated from the fall that’s all

Nós estamos livres do outono; isto é tudo

But the world looks just the same

Mas o mundo aparenta ser o mesmo

And history ain’t changed

E a história não mudou

Mais à frente, ele manda uma atemporal:

And a party on the left is now a party on the right

E um partido à esquerda agora é um partido à direita

And the beards have all grown longer overnight

E as barbas ficaram maiores durante a noite

E é claro, toda essa angústia tinha que ser liberada num grito, talvez o grito mais famoso da história do Rock:
Yyyyyyyyyeeeeeeeeeeeaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

Mas se Pete Townshend era a voz e o rosto do grupo, a alma era o baterista, um sujeito que literalmente vivia no mundo da Lua: Keith Moon.

A história do rock divide-se em antes e depois de Keith Moon. Antes dele, a bateria era um instrumento à parte, um mero encaixe do arranjo, algo frugal, básico, uma batidazinha burocrática e despretensiosa. Ringo Star e a música dos Beatles são o perfeito exemplo disso. Ou você lembra de alguma batida diferente da bateria de alguma música dos Beatles? Ou algum solo extasiante de Ringo Star? Não, não. Bateria servia apenas para compor a banda. Nada mais.

Com Keith Moon, a história era outra. Keith Moon tinha uma relação de amor e ódio com a bateria. Tanto é que, invariavelmente, ao final dos shows ele tinha a mania de destruí-la e/ou jogá-la na multidão. Ele batia, mas BATIA MESMO nos bumbos, como se quisesse extrair o máximo de som daquele instrumento. Depois de Keith Moon, as bandas posteriores descobriram que a bateria não tinha que ficar confinada no fundo do palco, servindo só pra ritmar a música; ela poderia, sim, ser uma estrela de primeira grandeza do show.

Sem Keith Moon, arrisco-me a dizer que jamais o Genesis teria existido, por exemplo. Phil Collins teria que ter tocado a vida fazendo outra coisa que não tocando bateria.

Pra quem quiser ter um gostinho de Keith Moon em ação, aí vai uma versão ao vivo de Behind Blue Eyes, uma das melhores do grupo. É um convite pra que você ouvir você sabe “Quem”:

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3 respostas para Sugestão de música: The Who

  1. Amaral disse:

    Vale confirir também, no endereço abaixo, Who are you (em estúdio). Abç

  2. Pingback: { Poesia & Tudo Mais }

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