O novo velho panorama do futebol brasileiro

O imbróglio envolvendo ultimamente a CBF, o Clube dos 13 e a Rede Globo parecia um tanto confuso pra mim. Graças a @davidvovo, consegui entender o que se passa. Vou tentar resumir a questão:

O Clube dos 13 reúne os 20 (isso mesmo, 20) clubes de maior torcida no Brasil. A maioria integrante da Séria A do Brasileirão.

Até agora, a negociação dos direitos de transmissão dos jogos dava-se da seguinte forma: o Clube dos 13, representando todos esses clubes, negociava em conjunto os direitos de transmissão dos seus jogos. Apurado o dinheiro, repartia em partes iguais entre os associados. Os clubes de maior torcida chiavam, porque achavam que deveria ganhar mais que os pequenos, mas a reclamação ficava só no gogó.

Em tese, o Clube dos 13 deveria vender os direitos de transmissão a quem pagasse mais. Só que havia um porém. Havia um cláusula nesse acordo que dizia o seguinte: qualquer lance que for feito, a Globo terá o direito de cobri-lo. Então, caso a Record, por exemplo, oferecesse um preço maior pelos direitos de transmissão, a Globo teria o direito de cobrir a oferta. Era um jogo desigual.

O CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) também achou assim. Mandou anular a cláusula, por considerá-la contrária à liberdade de concorrência. Parte do Clube dos 13, diante da possibilidade de ganhar muito, mas muito mais dinheiro numa licitação aberta, resolveu encampar a possibilidade de lançar um edital. Quem pagar mais, leva. Mesmo assim, ainda deixaram aberta a porta pra Globo. Se a Globo fizer um lance de até 90% do maior valor, leva mesmo pagando menos.

Só que  Globo não topou. Sabendo que a Record jogará o preço nas nuves – dinheiro não é problema pra eles – armou um plano para sabotar o Clube dos 13. Chamou pras conversas o Presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, os 4 grandes do Rio (Vasco, Flamengo, Botafogo e Fluminense), e pediu que saíssem do Clube dos 13. O pretexto seria de que negociariam em separado seus direitos de transmissão e, supostamente, assim ganhariam mais do que ficando no Clube dos 13.

Pra isso, conta com o providencial apoio de Ricardo Teixeira. Inimigo de Fábio Koff, atual presidente do Clube dos 13, Ricardo Teixeira tem feito de tudo para implodi-lo. Daí o reconhecimento do título do Flamengo de 1987 – coisa que sempre foi recusada pela CBF – só pra atrair o apoio do Flamengo. Daí a exclusão do Morumbi, segundo maior estádio do Brasil, do roteiro da Copa, porque o São Paulo integra o grupo de apoio ao Clube dos 13. E daí o “estádio” de São Paulo para a Copa ser o Itaquerão, que será o estádio do Corinthians depois dela, mesmo não havendo terreno, projeto, orçamento e dinheiro que demonstrem a viabilidade do empreendimento.

Por trás de tudo isso, não se iludam, está o velho e bom vil metal. Só isso. Como o Luís Nassif escreveu na sua coluna de hoje (www.luisnassif.com.br), transmitir os jogos do Brasileirão é algo de que depende boa parte da programação da Globo. Serve pra puxar a audiências das telenovelas do horário nobre e pra “deixar de herança” parte da audiência dos programas que vem depois. Do mesmo modo acontece com os jogos de domingo.

Perder essa parada pode significar, num futuro não muito distante, perder a liderança da audiência na TV aberta. E perder, por conseqüência, a maior parte do dinheiro envolvido nos patrocínios publicitários.

Os intere$$e$ são muitos. Aguardemos os próximos capítulos dessa novela.

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