Já se falou aqui da Teoria da Relatividade e de como ela não tem nada de relativa; apenas mudou o paradigma adotado: a velocidade da luz.
A luz, no entanto, é uma coisa muito curiosa. Ninguém sabe muito bem direito como defini-la.
No começo, acreditava-se que a luz seria formada por partículas. Isso explicaria, por exemplo, o fenômeno da reflexão da luz: a luz “bate” numa superfície e “reflete”, como aconteceria com um corpo qualquer. Veja abaixo:

Mas algumas coisas a Teoria Corpuscular da Luz não explicava. Primeiro, um francês chamado Foucault verificou que a luz se deslocava mais rápido no ar do que na água, algo que contrariava a teoria corpuscular. Além disso, ao passar por um orifício, ao invés de seguir seu curso natural em linha reta, esse ponto passa a “emitir” luz como se fosse um emissor original. Esse é o chamado fenômeno da Difração da Luz(v. foto abaixo):

Isso seria impossível caso a luz fosse uma partícula. Por isso, desenvolveu-se a idéia de que a luz, ao invés de ser uma partícula, seria uma onda.
Mas mesmo a Teoria Ondulatória tinha suas falhas. Ela não explicava, por exemplo, porque um condutor, ao receber a incidência de luz, emite elétrons.
Daí resolveram explicar tudo sem dizer nada: a luz seria uma partícula e seria também uma onda. Criou-se a Teoria da Dualidade Onda-Partícula da Luz.
Do ponto de vista filosófico, a Dualidade viola uma das premissas fundamentais do pensamento: uma coisa ou é uma coisa ou é outra coisa. Não pode ser duas coisas ao mesmo tempo.
Uma das formas de se tirar isso a limpo seria “isolar” um único feixe de luz. Tipo assim: imagine-se dentro de uma sala perfeitamente escura. Dentro dela, você porta uma lanterna e um pedaço de cartolina com um pequeno furo no meio. Você joga o facho de luz por dentro do buraquinho, e vai diminuindo-o constantemente até que reste espaço apenas para um único feixe de luz.
Só que aí aparece a Difração da Luz para cortar o barato. Quando você conseguir diminuir o buraquinho até chegar ao espaço de um único feixe de luz, esse buraquinho passará a emitir feixes de luz em várias direções. Foi o que explicou de forma magnificamente simples um professor meu de física do 3º ano. Seguinte:
Imagine que, em frente ao seu prédio, há um daqueles inferninhos, com barangas, bebida e mulheres de vida fácil. Nesse inferninho, só há uma única porta estreita por onde entrar e sair. Você, só de maldade, joga um rasga lata lá dentro. O que vai acontecer? As pessoas sairão de lá perfeitamente ordenadas, em fila indiana? Ou vai sair neguinho correndo pra tudo que é lado?
Pois é. Isso é uma difranção de gente. Com a luz, acontece a mesma coisa.
Simples, não?