Pensamento do dia

São as coisas que você ainda não conhece que mudarão a sua vida.

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Trilha sonora do momento

Tô nessa vibe, esperando pela chuva que não vem…

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Pensamento do dia

Ultimamente, tenho deixado tudo pra lei do retorno resolver, porque, se for pra eu mesmo resolver, vou parar na cadeia.

#ProntoFalei

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Por mudanças penais de verdade, ou Por que não vale a pena enquadrar traficante como terrorista

Depois do surto coletivo pós-trauma do massacre no Rio de Janeiro, toda sorte de maluquice começou a aparecer na política e no noticiário. Como de hábito, os “especialistas” de plantão vêm com respostas simples para problemas complexos. De novidade, mesmo, apenas a retomada desenvergonhada do slogan “bandido bom é bandido morto”.

A nova panacéia da segurança pública no Brasil atende agora pelo nome de “terrorismo”. Bastaria passar a qualificar os traficantes do Comando Vermelho, Primeiro Comando da Capital e facções afins como “terroristas” para que, em um passe de mágica, tudo começasse a se resolver nessa seara. Infelizmente, contudo, o buraco é mais embaixo.

Do ponto de vista estritamente legal, a mudança na conceituação dos envolvidos com atividades criminosas resultaria basicamente no aumento de pena dos condenados. Ao invés de serem enquadrados na Lei nº. 11.343/06 (Lei de Drogas), os traficantes agora seriam sorteados no milhar 13.260/16 (Lei antiterrorismo). Concretamente, as penas sairiam dos atuais 2 a 20 anos de cadeia, dependendo das circunstâncias, para 12 a 30 anos. Fora isso, a progressão de regime seria um pouco mais demorada, mas ainda assim ocorreria.

Isso, então, resolve?

Claro que não.

Para além do fato de que o aumento de penas em si pode ocorrer por simples mudança legislativa – sem necessariamente mudar o enquadramento do traficante para “terrorista” –, existem muitas outras opções mais concretas e mais efetivas para se combater as organizações criminosas.

Uma proposta bem simples seria a criação de um tipo penal específico para os homicídios praticados no contexto das organizações criminosas. Seja por acerto de contas, seja por “justiçamento” (nos famosos “tribunais do tráfico”), seja por simplesmente tocar o terror na população, a maior parte dos assassinatos cometidos por esses criminosos não está relacionado propriamente ao bem jurídico “vida”.  Na verdade, o que está em jogo muitas vezes é uma estratégia de tensão, visando ao amedrontamento da população dominada, ou simplesmente o interesse pecuniário (dívidas de drogas ou coisa parecida).

Hoje, os homicídios praticados por integrantes de facções criminosas são julgados pelo tribunal do júri. Compostos por cidadãos comuns, a decisão dos jurados é movida pela convicção íntima. Em outras palavras, ela não precisa ser fundamentada. Por isso mesmo, não raro facínoras acabam sendo absolvidos em júris apesar das provas em contrário, só porque os jurados ficaram com medo de votar pela condenação. Em cidades pequenas, esse fenômeno é ainda mais potencializado, por razões óbvias.

Deixando de caracterizar os homicídios praticados no contexto das organizações criminosas como “crimes dolosos contra a vida”, esses crimes deixariam de ser julgados pelo tribunal do júri. A exemplo do que acontece nos latrocínios (roubo seguido de morte), os réus passariam a ser julgados por juízes de carreira. E aí a pena variaria de acordo com o gosto do freguês. No homicídio, varia de 6 a 30, a depender se o crime for ou não qualificado. No latrocínio, a pena varia de 20 a 30 anos de reclusão. A pena mínima, portanto, seria inclusive maior do que a prevista para o crime de terrorismo.

Outra proposta relativamente simples diz respeito à criação de um banco nacional de informações, contendo os dados de todos os membros já identificados de facção. Com a divisão do combate ao crime em secretarias de segurança pública estaduais, não é raro acontecer de um faccionado ser preso em outro estado por um crime “menor” – como porte ilegal de armas – e sair livre na audiência de custódia simplesmente porque não se sabe da ligação dele com a facção criminosa. É impressionante que, em pleno 2025, isso ainda aconteça no Brasil.

Outra providência para ontem seria a obrigatoriedade de cumprimento da pena em presídios federais de segurança máxima. Ao contrário das penitenciárias estaduais, que na maioria das vezes são mais vazadas do que peneiras, os presídios federais ainda conseguem funcionar a contento quando o assunto é isolamento do preso da sociedade (e da rede de criminosos ao qual ele está associado).

Nessa esteira, seria interessante pensar também na possibilidade de gravação das visitas recebidas pelos presos dentro das penitenciárias. Hoje, mesmo para os que se encontram em regime de isolamento, não é raro ver chefes de facção distribuindo ordens mesmo quando estão encarcerados. E, no mais das vezes, isso acontece por meio dos “pombos-correios” que eles recebem nos presídios.

Fora isso, poderia ser inclusive estabelecido um novo tipo penal: portar celular dentro da cadeia. Assim, isso deixaria de ser mera infração disciplinar no cumprimento da pena e passaria a resultar em mais condenação para os criminosos.

Como se vê, soluções práticas e legais existem aos montes. Falta talvez coragem para enfrentar de frente o problema. Da mesma forma que só discurso bonito não vai resolver, tampouco será solução adotar medidas ilusionistas de caráter midiático, como a equiparação de traficantes a terroristas.

É hora de a população sair da catarse promovida pelo banho de sangue no Rio de Janeiro e começar a cobrar dos governantes medidas concretas para resolver a questão. Ou a gente faz isso, ou virão muitas outras matanças do tipo enxugar gelo, tal qual foi a da semana passada.

Vamos aprender com os erros do passado, ou estaremos condenados a repeti-los?

Só o tempo dirá.

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Trilha sonora do momento

Nadando contra a corrente

Só pra exercitar…

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Pensamento do dia

Ao que tudo indica, ficar quieto e na sua não é o suficiente para que as pessoas te deixem quieto e na sua.

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Trilha sonora do momento

E com a morte do Lô Borges, deixo-vos com esse clássico dele, na versão de Flávio Venturini.

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Pensamento do dia

Treinando braço, porque se em 2026 as portas não abrirem, eu vou abrir na porrada.

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Recordar é viver: “O verdadeiro Custo Brasil”

Com o noticiário da semana tomado pelo sangue derramado na desastrosa operação no Rio de Janeiro, talvez seja uma boa hora pra recordar um post do começo da década passada, no qual se aborda o aspecto econômico da violência.

É o que você vai entender, lendo.

O verdadeiro Custo Brasil

Publicado originalmente em 5.6.13

Um dos temas mais batidos pela imprensa, pelos políticos e pelas mesas de bar do país é o tal do “Custo Brasil”. No baralho político-econômico nacional, o Custo Brasil faz as vezes de coringa. Os alimentos estão muito caros? Culpa do Custo Brasil. A balança comercial é deficitária? Culpa do Custo Brasil. O país não consegue crescer a taxas asiáticas? Custo Brasil de novo.

O grande problema é que ninguém consegue transformar essa entidade etérea denominada Custo Brasil em algo palpável. Ora se fala na falta de infraestrutura, ora se fala na alta carga tributária. Há ainda quem reclame do excesso de burocracia e do emaranhado normativo para investir e fazer comércio. Ninguém explica, contudo, porque países com menos infraestrutura do que a nossa – como a Índia – e carga tributária infinitamente mais elevada – como a Suécia – não se deparam com semelhantes problemas. Ou, se se deparam, ninguém os embrulha em um só pacote e os transforma na Geni do país.

Curiosamente, um dos maiores problemas do país fica de fora desse embrulho disforme chamado de Custo Brasil. Sim, ninguém nega que a violência é uma grande mazela. Mas são raros os economistas ou políticos dispostos a “precificar” o seu custo. Quanto nós pagamos a mais por cada produto em razão da insegurança reinante no Brasil?

Imagine, por exemplo, uma lojinha de confecções. Antigamente, ela ficava no centro da cidade. Depois de 15 assaltos e ver sua clientela evitar a área por conta da violência, o dono da lojinha tem duas opções: fechar as portas ou se mudar para um shopping. O problema, claro, é que o aluguel de uma loja em um shopping é muito mais caro do que uma loja no centro da cidade. Por quê? Bem, fora a ambientação (ar condicionado, decoração, etc.) e as facilidades (estacionamento, praças de alimentação, etc.), paga-se no shopping pela vigilância armada. Hoje, é possível que este seja o principal fator a atrair a clientela. Sem segurança para andar na rua, ao cidadão comum só resta ir para onde exista gente com armas fazendo a ronda.

Do ponto de vista da manutenção da clientela, o problema está resolvido. Como não existem almoços grátis, o preço do aluguel forçosamente será repassado para o custo das mercadorias. Se antes a lojinha no centro da cidade cobrava R$ 20,00 por uma camisa de malha, a mesma lojinha no shopping cobrará uns R$ 40,00. Do ponto de vista econômico, portanto, a simples mudança de local impactou diretamente o preço final da mercadoria, mesmo sem ser – ao menos em tese – elemento da cadeia produtiva da camisa de malha.

Obviamente, esse é um exemplo banal. Mas é só parar pra pensar: bancos, supermercados e até salões de beleza hoje se sustentam à base de segurança privada. Embora você não perceba de forma imediata o impacto do custo dos vigilantes – nenhum desses estabelecimentos, por razões óbvias, divulga quanto gasta com segurança -, está pagando por eles, seja na forma de tarifas, seja no de preços das estantes ou em quanto você gasta para fazer as unhas. Se não houvesse a necessidade de contratação de segurança privada, cada um desses preços seria proporcionalmente menor.

Além disso, há ainda custos “invisíveis”, representados pelo próprio modo de a sociedade se adaptar ao tamanho da violência que vivencia. Por exemplo: numa cidade que disponha de um razoável sistema de transporte público mas um grande índice de violência, o sujeito certamente preferirá se deslocar com automóvel particular do que de ônibus. Quanto se gasta a mais com a gasolina do carro?

Pra piorar, há ainda os danos indiretos à qualidade de vida do povo. Com menos segurança para usar transporte público, o gasto calórico ordinário de cada dia tende a decrescer. Como a insegurança não permite atividades ao ar livre para compensar a sedentariedade adquirida com o deslocamento por carro, o sujeito tem de pagar por uma academia particular (na qual, obviamente, está incluído o preço da segurança). Quem não pode pagar por uma, tende a engordar. Aumenta-se, assim, o índice de obesidade da população. Uma população mais obesa tende a frequentar mais os hospitais. Consequentemente, aumentam o gasto dos planos de saúde e dos governos com tratamentos médicos.

Por tudo isso, arrisco-me a dizer que, hoje, o principal componente do Custo Brasil é a violência. Sem a resolver, tratar do resto será apenas perfumaria.

E embromação eleitoral, claro.

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Trilha sonora do momento

E já que hoje é dia de Halloween…

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