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Pensamento do dia

Work to live, not live to work.

#FicaaDica

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Recordar é viver: “O mito da caserna, ou Por que os governos militares não dão certo”

Agora que o caldo entornou de vez para Jair Bolsonaro e sua trupe de militares – da reserva, mas também da ativa – creio ser uma boa oportunidade para revisitar esse post de três anos atrás, quando o ex-presidente ainda mandava e, sobretudo, desmandava no país.

Porque, se tem um pecado que este Blog nunca cometeu, foi o de acreditar na suposta infabilidade de quem enverga verde-oliva…

O mito da caserna, ou Por que os governos militares não dão certo

Publicado originalmente em 10.9.20

Sem nenhuma dúvida, o 7 de setembro é a data mais importante do calendário cívico brasileiro. Desprezando-se qualquer juízo de valor sobre a data, o fato é que a declaração de independência representa o marco temporal do surgimento do Brasil-Nação. Até então, éramos apenas parte integrante do Reino de Portugal. Primeiro, como colônia. Depois, como vice-reino. E, por um breve período após as invasões napoleônicas, como “Reino unido” a Portugal. Com a declaração de independência, enfim o Brasil passou a literalmente a se governar, a comandar os próprios rumos.

Embora a história por trás do 7 de setembro seja por demais conhecida, com todas as (justas) críticas que se possa fazer a ela, historiadores de todas as matizes costumam ignorar solenemente uma sombra que paira sobre o Brasil desde, pelo menos, outra data importante: a Proclamação da República. Se a Independência transformou o país numa “monarquia cercada de repúblicas por todos os lados”, na feliz definição de Lili Schwarcz, permitindo que o mal da escravatura sobrevivesse ao longo de todo o Oitocentos, o golpe que destronou a monarquia foi igualmente responsável por um dos mais deletérios efeitos da nossa democracia: a sombra dos governos militares.

Que o XV de Novembro foi um golpe, não há a menor dúvida. Uma quartelada que começara inicialmente com uma reivindicação de mudança no Conselho de Ministros terminou com o Imperador derrubado e uma nova forma de governo instaurada no país. A tudo isso, o povo assistiu “bestializado”, segundo o testemunho histórico de Aristides Lobo. Claro, porque tudo ali se deu à margem de qualquer participação popular (assim como a própria Independência).

Desde então, o que se viu no Brasil foram surtos, maiores ou menores, de intervenção dos militares no poder. Ao longo de toda a República, sempre pairou a sombra dos militares como “salvadores da Pátria”, seja para salvar o país da “corrupção” (risos), seja para salvar a Nação do “comunismo” ou coisa que o valha.

Quando não estavam a governar o Brasil diretamente, como o fizeram ao alvorecer da República (República da Espada) e durante a ditadura militar, faziam-no por interposta pessoa, como ocorreu na Ditadura Vargas (ele próprio um líder dos “tenentistas”), e, de certo modo, na República Velha, um simulacro de democracia que foi encerrado não por acaso com outro golpe militar (Revolução de 30).

No brevíssimo período em que se permitiu ao país experimentar de fato o que seria ser governado sob um regime democrata, o Brasil foi sucessivamente governado por um general (Eurico Gaspar Dutra) e um ex-ditador (Vargas, sempre ele). JK saiu do script e quase não toma posse, só vindo a fazê-lo depois do contra-golpe da Novembrada. Jânio Quadros foi eleito em seguida e deu no que deu.

Desde então, mesmo com a queda da ditadura, o mito dos militares no poder sobreviveu impassível aos novos ares da redemocratização. Viúvas daquele tempo sempre exaltavam o quanto o país “era melhor” naquela época e como os governos da caserna seriam “honestos”, como o país vivia “em ordem” e como eles haviam conseguido colocar o Brasil no “rumo do desenvolvimento”. A verdade, entretanto, é que tudo isso não passa da uma grande falácia.

Pra começo de conversa, o país dos militares – seja em qualquer época – não era em qualquer coisa melhor do que o país que temos hoje, após a redemocratização. Por qualquer métrica que se escolha, a comparação será risível. Analfabetismo e desenvolvimento humano eram absurdamente piores nos anos 70, que dirá nos anos 30.

Já o tão propalado “milagre econômico” é falso como uma nota de 3 reais. Além de nos legar a mais brutal concentração de renda no globo, ele foi baseado numa espécie de pirâmide financeira, através da qual empréstimos antigos eram pagos com a contratação de empréstimos novos. As duas crises do petróleo (1973 e 1979), juntamente com a marretada que Paul Volcker deu nos juros americanos para conter a inflação, estouraram a festa no começo dos anos 80. Resultado: o Brasil quebrou, ficando com a maior dívida externa no planeta, uma década perdida de crescimento e uma espiral hiperinflacionária que levou quinze anos e oito planos econômicos para ser superada.

Falar em militares como “representantes da ordem” é, ao menos do ponto de vista histórico, uma piada. Noves fora o fato de que os golpes, de per si, eram manifesta expressão do contrário, mesmo nos períodos democráticos o país não ficou a salvo das desordens da caserna. Além da Novembrada em 55, houve o “quase-golpe” contra a posse de João Goulart em 61. Durante a ditadura, então, foi que o caos imperou realmente. Os levantes eram tão frequentes quanto as postagens de “influencers” no Instagram. Apenas para ficar nos “melhores momentos”, houve balbúrdias seguidas em 1965 (AI-2),1968 (AI-5), 1969 (junta militar) e 1977 (demissão de Sílvio Frota). Não por acaso, Ernesto Geisel, o sujeito que restaurou o primado da autoridade presidencial sobre as Forças Armadas, planejava o fim da ditadura porque a tachava de uma “grande bagunça” (Elio Gaspari).

Por fim, o mito dos militares no poder sobrevive propalando uma “honestidade” acima de qualquer suspeita de seus membros, como se alguma instituição, por definição, pudesse ter gente mais honesta do que outra. Isso é uma tolice, porque pode-se roubar até na fabricação de hóstias, e a história da Igreja Católica é prenhe de exemplos de como os pecados mundanos costumam se sobrepujar mesmo à fé mais exaltada. Fora isso, quem defende a suposta “incorruptibilidade” dos militares haveria de explicar como eles governaram o país por 21 anos associados a gente como José Sarney, Antônio Carlos Magalhães e, crème de la crème, Paulo Salim Maluf, o grande ícone da corrupção do nosso país.

Não há, portanto, qualquer razão para acreditar no mito da caserna. E, para quem não acredita em História, lança-se aqui um desafio: entre todas as grandes potências do mundo, quantas cresceram e chegaram ao seu status atual governadas por militares?

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Trilha sonora do momento

“Mesmo com toda riqueza dos sheiks árabes…

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Pensamento do dia

A única alternativa a ficar triste é ficar puto.

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Efeito Orloff?, ou A Argentina na beira do precipício

Quem é mais velho vai se lembrar.

O sujeito senta no bar e pede uma vodka com gelo. Ao seu lado, aparece um clone seu, lépido e fagueiro. Todo pimpão, o clone manda o barman trocar a destilada pedida por uma Orloff. Ressabiado, o camarada pergunta:

“Quem é você?”

E o seu clone responde:

“Eu sou você amanhã”.

Embora a propaganda tenha sido feita para ressaltar a qualidade da vodka oferecida (que não sujeitaria o bebum a ressacas no dia seguinte), a verdade é que o agora famoso “efeito Orloff” entrou pra história como prenúncio de uma catástrofe anunciada, como se a desgraça a ser experimentada por algo ou por alguém não passasse de uma reprise ruim em um cinema decadente. Tal é a sensação de quem, no Brasil, observa o que ora se passa na nossa vizinha Argentina.

Esculhambada por quase um século de peronismo, a Nação Portenha – que ingressou no Século XX como a Suíça dos trópicos, 7ª economia do mundo, exemplo para seus pares – destrambelhou-se numa débâcle sem precedentes. Espremida, de um lado, pelo populismo mais safado e, do outro, pelo golpismo militar mais atroz, a Argentina parece condenada a repetir não só os erros do seu passado, mas, também, os erros dos seus vizinhos.

Há menos de uma semana, no que se poderia chamar de “Primárias Argentinas”, o anarcocapitalista Javier Milei surpreendeu a esquerda neoperonista e os direitistas de Maurício Macri, sagrando-se “vencedor” da disputa, com quase 30% dos votos. Assombrados, os argentinos entreolham-se e se perguntam:

“Seremos nós o Brasil de 2018?”

A pergunta não é de todo infundada e há razões de sobra para estar preocupado com a ascensão desse palhaço travestido de político chamado Javier Milei. Assim como o Brasil de 2018, a Argentina passa por um momento de profundo descrédito na política como salvação para os problemas comuns do dia-a-dia. Encalacrada em crises por cima de crises há pelo menos 25 anos, a Argentina praticamente esgotou as alternativas políticas, digamos, “tradicionais” para buscar uma saída. À esquerda, o neoperonismo de Cristina Kirchner já demonstrou por mais de uma vez sinais de esgotamento. À direita, o fracasso da gestão Macri resultou na volta da esquerda ao poder, com todos os problemas que ela trazia consigo.

É justamente em cenários assim, nos quais o cidadão olha para os lados e não enxerga saída, que costumam brotar figuras exóticas como Javier Milei. Autointitulado anarcocapitalista, Milei reúne em si todos os piores pecados da extrema-direita reacionária mundial. À cabeleira despenteada à la Boris Johnson Milei soma o negacionismo ambiental de Donald Trump e a crença na bizarra teoria do “marxismo cultural” de Jair Bolsonaro.

Se essa desgraça em si fosse pouca, Milei ainda se diz contra o aborto em qualquer hipótese (mesmo em casos de estupro) e a favor – veja você – do livre comércio de órgãos humanos. Toda essa reunião de estultices encontra-se embrulhada em um sujeito que, segundo uma biografia não autorizada, toma decisões com base em cartas de tarô e se vale de parapsicólogos para ter contato com seu cão falecido, do qual recebe conselhos.

À primeira vista pode parecer loucura, mas, como diria Polônio, ainda assim há método nela. Milei nada mais faz do que repetir o receituário eleitoral que produziu fama e sucesso para Donald Trump e Jair Bolsonaro. Visto como louco e desacreditado pela maioria da população, cujos Ticos conversam com os respectivos Tecos, Milei fala asneira e cretinices justamente com o propósito de “causar”. E, quanto mais ele “causa”, mais ele aparece. E, quanto mais ele aparece, mais ele se torna estuário de todo tipo de sentimentos ruins que costumam habitar recantos incônditos da alma humana.

Em um cenário “normal”, candidatos assim não reúnem mais do que 10, 15% do eleitorado. Trata-se daquela parcela mais ressentida e autoritária, que enxerga em tipos dessa natureza um espelho que liberta toda sorte de preconceitos que eles, contra a sua própria natureza, são obrigados a esconder no dia-a-dia. Mas, como infelizmente se vê, esse não é um cenário “normal”, assim como não eram os Estados Unidos de 2016 ou o Brasil de 2018.

O que cenários limítrofes costumam produzir é uma espécie de cegueira coletiva que traz para esse nicho restrito do eleitorado, que se situa no extremo do espectro político, aquela maioria meio amorfa que quer simplesmente seguir com a sua vida, sem que o governo interfira ou atrapalhe muito a sua vida. Quando se está em situação de desespero, por vezes é difícil ter de escolher entre uma comida estragada (a esquerda ou a direita argentina) e veneno puro (Javier Milei). Com raiva, o eleitor não consegue enxergar que, por mais que a primeira opção lhe vá dor de barriga, ele vai sobreviver. Na segunda, ao revés, a morte é certa.

É verdade que o argentino médio possui uma educação e uma cultura política muito mais refinada do que o brasileiro médio. Por isso mesmo, haverá quem defenda que a Argentina não cometerá os mesmos erros do seu irmão grande do Norte. Convém, contudo, colocar as barbas de molho. Quando esse cenário apareceu no Brasil, muita gente boa pensou o mesmo e deu no que deu. Neoperonistas e Macristas apostavam, até a semana passada, que o eleitor argentino não optaria pelo suicídio político.

E deu no que está dando.

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Trilha sonora do momento

Certo mesmo estava o General Heleno… #piadapronta

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Pensamento do dia

Quem acha que sabe tudo é porque está mal informado.

By Millôr Fernandes

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Crônicas do cotidiano: “Visitante incômodo”

Parente é uma coisa engraçada. A gente nasce cercado deles, mas ninguém quer passar o tempo todo rodeado por eles. Com o tempo, a seleção natural darwinista das relações sociais acaba por “filtrar” a parentada, reduzindo o círculo íntimo a alguns poucos, tal como acontece com a maior parte das nossas amizades. A regra, contudo, vale apenas para tios, primos e agregados. Pais, irmãos e avós vão te acompanhar para o resto da vida, quer você queira, quer não. Foi o que Michael acabou por descobrir ao final da adolescência.

Morando no Recife com sua mãe, Michael não apitava praticamente nada na casa. A única coisa menor que a sua conta bancária era sua barba, ainda rala mesmo para padrões adolescentes. Nessa condição, teve de engolir em seco a visita de seu avô, Raul, pai da sua mãe e responsável direto pela casa onde viviam, doada pelo avô quando durante a época das vacas magras (naquela altura, as vacas já haviam morrido).

Não que o avô fosse propriamente uma figura incômoda, que fique claro. Mas todo ser humano, quando envelhece, sofre um processo natural de desligamento dos mecanismos de self restraint que costumam acompanhar os adultos. Pudera. Depois de ter experimentado tudo na vida, o idoso não está mais nem aí para o que acham dele. No limite, danem-se os incomodados. E era exatamente assim que Raul vivia, com gosto, a sua terceira idade.

Como o telefone de casa estivesse com problemas, Michael acionou a companhia telefônica para tentar saber o que se passara. Quando os dois técnicos chegaram à sua casa, o avô havia se sentado à mesa de jantar, com um notebook na mão e um par de auscultadores nas orelhas. A tela estava posicionada de costas para a sala de estar, de modo que, quem estava nela, não tinha como saber o que o velho Raul estava assistindo no computador. A má colocação do conector dos fones de ouvido no buraquinho correspondente do laptop acabou por denunciá-lo às visitas:

“Aaaaahhhhhhh!!!! Yyyyyeeeeeaaaahhhhhh!!! Aaaaahhhhhhh!!! Come on!!!!”

Michael não sabia onde enfiar a cara. Os técnicos da telefônica mal conseguiam conter o riso. Mesmo assim, profissionais que eram, deram sequência ao atendimento da ocorrência. Dois minutos depois, Raul levantou suavemente uma das pernas da cadeira e, inclinado, produziu um barulho audível até do apartamento vizinho:

“TTTTTTTTRRRRRRRRRRAAAAAAAAAHHHHHHHH!!!”

O efeito foi imediato. Em poucos segundos, um odor que somava a um só tempo enxofre e metano empesteou completamente o ambiente. Os técnicos não puderam mais conter o riso e se limitaram a cobrir o nariz com as próprias fardas, numa vã tentativa de se salvarem daquela imersão temporária no cheiro do inferno. Michael, coitado, apenas pediu desculpas com os olhos.

E foi assim que ele descobriu que nada está tão ruim que não possa piorar…

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Trilha sonora do momento

Entendedores entenderão.

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