Recordar é viver: “Como Paris tornou-se a cidade mais linda do mundo”

Já que um cearense anda viralizando na Web com um vídeo detonando Paris, nada melhor do que recordar porque a capital francesa ganhou o epíteto de Cidade-Luz.

 

Como Paris tornou-se a cidade mais linda do mundo

Publicado originalmente em 26.5.11

Já disse aqui – e repito – que Paris é a cidade mais bonita do mundo. Disparado.

Mas nem sempre foi assim. Ao contrário. Até meados do século XIX, Paris era suja, feia, fétida mesmo. Nada que lembrasse a magnífica metrópole de hoje em dia.

Governava a França na época Luís Bonaparte, autoproclamado Napoleão III. Escaldado com o que ocorrera na Revolução Francesa, em que a monarquia ruiu como um castelo de areia diante de uma insurreição popular, Napoleão III determinou ao prefeito nomeado de Paris, o Barão de Haussmann, que remodelasse a cidade de modo a impedir que algo semelhante voltasse a suceder.

Advogado, funcionário público e político, Haussmann era também arquiteto. Fez fama como tal destruindo as construções que apareciam pela frente e erguendo algo novo, geralmente grandioso, em seu lugar. Por isso, ganhou o apelido de “o artista demolidor”.

Haussmann tinha em mente uma cidade plana, com largas avenidas. Com isso, ficaria mais fácil o deslocamento de tropas para reprimir manifestações, assim como ficaria mais difícil para os insurretos erguer barricadas pelas ruas de Paris. Foi com esse intuito “militar” que surgiram, assim, os famosos boulevares parisienses.

Haussmann também imaginou formas geométricas no desenho da cidade. Por isso, às vezes temos a impressão de que Paris foi concebida a régua e esquadro. O exemplo mais perfeito desse desejo de Haussmann é, sem dúvida, a Étoile, a rotunda em que 12 avenidas se encontram no Arco do Triunfo, produzindo, hoje, um dos cenários de trânsito mais caóticos (e divertidos de se ver) do mundo.

Étoile

Mas, como artista que era, Haussmann também queria privilegiar o belo. Queria que as construções obedecessem a um padrão uniforme, de modo a harmonizar a arquitetura da cidade. Evidentemente, não era qualquer padrão, mas o padrão da alta burguesia francesa. Por isso, os edifícios do centro de Paris assemelham-se a palácios, pois era essa a realidade que queria Haussmann reproduzir.

Haussmann também se preocupou com a limpeza da cidade. Construiu galerias, redes de esgoto, sistemas de limpeza de lixo que, mais tarde, tornariam-se referência mundial no combate às doenças causadas pelo lixo urbano. Paris tornava-se não só linda, mas também limpa.

Obviamente, não foi fácil para o “demolidor” fazer tudo isso. Três quartos das casas e comércios da cidade foram ao chão, ao custo aproximado, em valores atuais, de EU$ 260 bilhões.

Depois de tudo feito, Paris tornou-se o protótipo da cidade moderna. Londres, Nova Iorque, Berlim, todas as outras grandes capitais do mundo copiaram o modelo parisiense. Porém, como todas as cópias, estas também não chegam aos pés do original.

Foi duro? Foi. Foi sacrificante? Sem dúvida. Mas não há como negar que valeu a pena.

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