Recordar é viver: “O 25 de dezembro”

Uma vez que o Natal se aproxima, nada melhor do que recordar do que a data realmente trata.

Foi exatamente o que aconteceu aqui no Blog, cinco anos atrás.

Porque recordar é viver…

 

O 25 de dezembro

Publicado originalmente em 23.12.11

 

Aproxima-se o Natal e todo mundo a esta hora deve estar indo correr em shoppings atrás dos últimos presentes que ficaram faltando. A comercialização da data acabou por fazer esquecer a origem da festa. Comemora-se o nascimento de Jesus Cristo. Mas será que Jesus nasceu mesmo no dia 25 de dezembro?

Não há qualquer registro histórico ou bíblico de que Jesus tenha nascido nesse dia. Temos certeza de que Cristo existiu pelas referências de dois historiadores romanos: Tácito e Flávio Josefo. Por serem romanos e historiadores, supõe-se que seus relatos seja, digamos, “imparciais”, isto é, não estariam “contaminados” por qualquer adesão à nova religião que surgia. Mas os relatos de Tácito e Flávio Josefo já tratam de Jesus adulto, subversivo e abalando as estruturas em Jerusalém. Não cuidam, nem poderiam, do nascimento dele. Em toda a Bíblia, há apenas o relato do nascimento na manjedoura, mas sem qualquer referência a datas.

É bem provável, também, que Jesus não tenha nascido no ano 1 da Era Cristã, mas 6 ou 7 anos antes de Cristo. Sim, por mais contraditório que pareça, Jesus não nasceu na data marcada como o início de sua era. Segundo o Evangelho de Mateus, Jesus nasceu ainda sob o reinado de Herodes Magno. Como Herodes morreu no ano 750 da Era Romana, equivalente, no nosso calendário, ao ano 4 a.C, Cristo necessariamente teria nascido antes disso.

A data de 25 de dezembro fora estabelecida em 274 d.C por Aureliano como o Dies Natalis Invicti Solis, ou o Dia do Nascimento do Sol Inconquistável. A data coincidia com o solstício de inverno, comemorado pelos romanos como a data em que a terra iniciava seu descanso e se preparava para a semeadura e colheita do ano seguinte. Homenageava-se Saturno, o Deus da Agricultura para os pagãos.

Foi somente em 350 d.C que o Papa Júlio I decretou que o nascimento de Jesus Cristo deveria ser comemorado no dia 25 de dezembro. A intenção era clara. Naquela época, o Cristianismo despontava como principal religião do Império Romano e, 30 anos depois, seria reconhecida como a única religião oficial do Império, pelo Edito de Tessalônica. Para angariar mais fiéis, alguém pensou que seria menos traumatizante adaptar as festas pagãs ao cristianismo, de modo a diminuir o “trauma” da conversão.

Tanto é assim que, do ponto de vista da liturgia cristã, o Natal não é a data mais importante do ano. É a Páscoa. É nela que se celebra o “mistério da fé”, isto é, o fato de que Jesus foi crucificado, morreu, venceu a morte e ressuscitou dos mortos. É em torno dela que se estrutura toda a crença cristã. Do ponto de vista religioso, o Natal seria talvez a segunda mais importante, porque é nele que se celebra o advento do Salvador do Mundo.

De todo modo, mesmo para quem não é cristão, o Natal é a época de comemorar a vida. O mercantilismo, claro, tirou um pouco do brilho da época, resumindo-a a uma sessão coletiva de troca de presentes. Mas não há quem no Natal se esqueça de celebrar a família e a amizade. E, afinal, é para isso que vimos ao mundo.

Porque, como diria Vinícius, é melhor ser triste junto do que ser feliz sozinho.

Anúncios
Esse post foi publicado em Recordar é viver e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s