O efeito estufa, ou Os limites do aquecimento global

Dando sequência à pauta represada pela falta de atualização do Blog, vamos a um tema da hora: o aquecimento global.

Quando alguém aparece para falar em aquecimento global, quem é mais cético costuma virar a cara. “Lá vem aqueles ecochatos de novo!”, pensam os que não conseguem enxergar o nível de criticidade da discussão. Por trás da reclamação pela suposta ladainha ecológica, embute-se a descrença de que qualquer alteração climatológica do planeta seja capaz de causar grandes catástrofes.

O ceticismo é infundado?

Para um olhar mais apressado, a resposta é não. Afinal, há gente alertando para os riscos da mudança climática desde pelo menos o começo da década de 70. E, em quarenta anos, a humanidade continua aí, sem grandes mudanças. Se nada mudou até agora, é difícil que mude daqui pra frente. “Seguimos firmes e fortes”, pensam os ecocéticos. A confiança ilimitada no futuro, no entanto, não resiste a uma análise mais aprofundada sobre o tema.

Todo mundo já ouviu falar no tal de “efeito estufa”. Seria ele o grande vilão do aquecimento global. É graças ao acúmulo na atmosfera de gases indutores desse efeito que o planeta experimenta o aumento de temperatura que os ecologistas todo dia denunciam na TV. Mas o efeito estufa é necessariamente um mal?

Não, absolutamente. Na verdade, sem efeito estufa, não existiria vida na Terra, ou, pelo menos, ela seria bem diferente do que é hoje em dia. Expliquemos o porquê.

Como todo mundo sabe, o calor existente neste pálido ponto azul do espaço vem basicamente do Sol. É a radiação solar que produz esse fenômeno. Ao ultrapassar a atmosfera, ela atinge a superfície terrestre, aquecendo-a. No entanto, pelas próprias propriedades físicas dos elementos envolvidos, a maior parte da radiação é refletida pela Terra e devolvida ao espaço (o que, aliás, explica a cor azul do planeta, em contraste com a imensidão negra que o rodeia).

No entanto, como parte da nossa atmosfera é composta por gás carbônico, a radiação que é refletida pela Terra volta de novo para a superfície ao se encontrar com ele. Tal qual uma estufa, o calor que é incensado pelo Sol é retido, distribuindo-se de maneira uniforme pelo planeta. Assim, garante-se uma temperatura homogênea e agradável, ao invés dos prováveis -18º C, caso não houvesse CO2 na atmosfera.

Efeito estufa

O problema, como sempre, está na dosagem. Quando se iniciaram as medições de gás dióxido de carbono, a atmosfera exibia níveis muito pequenos, em torno de 280 partes por milhão. Com isso, a temperatura média do planeta ficava em aproximadamente 14ºC. Hoje, já atingimos 400 partes por milhão, e estima-se que, até o final deste século, chegaremos a 500 partes por milhão. Isso, claro, para não falar de outros gases indutores de efeito estufa, como o metano e o CFC.

E daí?

Daí que, hoje, a temperatura média da Terra já aumentou quase 1º C desde que as medições começaram. E ameaça aumentar mais 1,5º C ou mais até 2100. Pode parecer pouco, mas para um planeta baseada em um equilíbrio delicadíssimo entre todos os seus macro-sistemas, a variação é dramática. Basta pensar que o aumento da temperatura interfere diretamente no nível de evaporação da água dos mares e rios. Este, por sua vez, interfere diretamente na formação das correntes de vento. E tudo desemboca nos efeitos de ambos sobre fauna e flora.

Quando se percebe a fina sintonia existente entre todo o sistema climatológico, a conversa ecológica deixa de ser algo abstrato e passa a se tornar bem real. Para quem mora em São Paulo ou no Nordeste, basta olhar pela janela. A falta de chuva não representa omissão de São Pedro, mas, sim, um efeito direto da mudança experimentada pela Terra.

Segundo especialistas, o limite máximo para a quantidade de CO2 na atmosfera é de quase 3 trilhões de toneladas. A partir daí, o efeito estufa entraria em um processo de retroalimentação praticamente irreversível. Até agora, a humanidade já lançou 1,9 trilhão. Ou seja: em pouco mais de três séculos, gastamos quase 2/3 da “cota” disponível. E há o sério risco de atingirmos o ponto de não retorno até o final deste século.

Haverá, obviamente, quem acredite ainda ser possível à humanidade sobreviver sob tais circunstâncias. “As coisas podem piorar”, dirão alguns, “mas sempre encontraremos um movo de nos salvar”. Considerando que o futuro a Deus pertence, essa será sempre uma hipótese factível.

No entanto, sugiro para para os ecootimistas lançar um olhar mais atento para Vênus. O segundo planeta do sistema solar outrora teve rios e mares, como a Terra. Por conta de um efeito estufa progressivo, o sistema venusiano atingiu o ponto de não retorno e, hoje, toda a água do planeta encontra-se sob forma de vapor em sua atmosfera. Na superfície, temperaturas ao redor de 460º C tornam impossível a subsistência de qualquer forma de vida que conhecemos.

Como Vênus chegou nesse ponto?

Ninguém sabe. Mas, para nós, não custaria nada entender como um planeta tão parecido como o nosso, tão apto a receber a vida como o nosso, de repente tornou-se um inferno escaldante no qual até o ferro derrete.

Porque, no nosso caso, o exemplo, literalmente, mora ao lado.

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