Caçadores de obras-primas, ou A importância das artes

Outro dia assisti ao filme Caçadores de Obras-Primas (The Monuments Men). Produzido e dirigido por George Clooney, o filme reúne um elenco de peso para estrelar um roteiro de Sessão da Tarde. Não se trata da uma experiência muito produtiva em termos cinematográficos, mas ainda assim vale a pipoca.

The Monuments Men

Caçadores de Obras-Primas remonta a história um grupo de historiadores, artistas, arquitetos e militares preocupados com outra coisa que não a guerra em si. O ano é 1944. Os alemães já levaram uma sova dos russos em Stalingrado e os aliados preparam o desembarque na Normandia.

Do ponto de vista bélico, a situação é das melhores. Os russos avançam pelo leste e os aliados, pelo oeste. Já esgotados, os alemães não conseguem se opor ao avanço em duas frentes. Depois de cinco anos de guerra encarniçada, finalmente se pode enxergar uma luz no fim do túnel.

No entanto, ao sucesso militar corresponde a apreensão dos Caçadores de Obras-Primas. Na hora do pau, soldados e oficiais só enxergam prédios e alvos da artilharia. Ninguém vai se preocupar se no lugar onde estiverem escondidos os alemães haverá alguma obra de valor artístico e/ou histórico. Por isso mesmo, o grupo se desloca para a frente de batalha com uma só missão: salvar o inigualável patrimônio da humanidade escondido sob os escombros de uma Europa assolada pela guerra.

À primeira vista, a missão parece loucura. Como um general pergunta ao comandante da operação, “algumas dessas obras vale a vida de um de seus homens?”. Em outras palavras: é admissível arriscar a morte de pessoas para salvar uma tela ou pedaço de mármore esculpido?

Não é uma pergunta banal, tampouco estúpida. Afinal, a vida é o valor mais fundamental em qualquer sociedade civilizada. Entre ela e uma obra de arte, boa parte provavelmente escolheria a vida, e certamente a maioria não hesitaria em salvar a própria pele a arriscar-se pelo salvamento de uma obra de arte.

É justamente nesse ponto que o filme brilha. Ainda que com alguma dificuldade no desenvolvimento do enredo, Caçadores de Obras-Primas consegue tocar diretamente o ponto: o que está em jogo não é somente um quadro na parede ou uma escultura dentro de uma Igreja, mas a noção de, por trás de cada uma delas, está a história de como o homem saiu das cavernas e chegou à Lua. Ou, mais sinteticamente, a idéia de que foi através das artes que construímos o nosso conceito de civilização.

Até Michelangelo, um bloco de mármore branco era apenas um bloco de mármore branco. No máximo, um bom material para colocar no piso de uma casa ou na sacada de um edifício. Quando Michelangelo transformou um imenso bloco de mármore de Carrara no seu Davi, conseguiu provar a capacidade de o homem transformar algo bruto e sem graça em algo belo e exuberante.

Se isso não fosse bastante, cada obra de arte representa uma parte de nossa história, testemunhas que são dos períodos nos quais foram elaborados. Alguém conseguiria visualizar o que foi o Império dos Faraós se não existissem hoje as pirâmides do Egito? Ou o que foi a Guerra Civil Espanhola sem que Picasso tivesse pintado a Guernica?

Por isso mesmo, a arte é tão importante. É através dela que conseguimos saber o que fomos e – por que não? – o que somos atualmente.

Abaixo, o trailer do filme, para quem se animar a vê-lo:

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