Oscar no Hall da Fama

Semana passada, em meio a notícias de espionagem e possível nova guerra no Oriente Médio, uma notícia muito relevante para o esporte nacional acabou passando meio despercebida: a eleição de Oscar para integrar o Hall da Fama do Basquete.

Para quem não sabe, o Naismith Memorial Basketball Hall of Fame é uma homenagem a James Naismith, criador do basquetebol. Deixando de lado os títulos conseguidos na quadra, a escolha para integrar o Hall da Fama é a maior honraria a qual pode almejar um jogador de basquete. Desde sua criação em 1959, apenas 285 cidadãos foram eleitos para integrá-lo. E, desse total, apenas 135 eram jogadores. Os demais distribuem-se entre técnicos, árbitros e colaboradores do esporte. Oscar, portanto, passou a integrar um panteão para o qual qual, entre todos os jogadores de basquete de todos os tempos, pouco mais de 130 foram eleitos.

Não que Oscar tenha sido exatamente um pioneiro. Afinal, Hortência em 2005 e Ubiratan em 2010 já tinham aberto as portas do Hall da Fama aos brasileiros. Mesmo assim, o reconhecimento de Oscar marca também o reconhecimento de uma das melhores gerações que o Brasil já teve no esporte da bola ao cesto.

Em primeiro lugar, Oscar era a peça principal do time que conseguiu a vitória mais fantástica do basquete brasileiro: os Jogos Pan-americanos de 1987, em Indianápolis. Pode não ser maior do que os dois títulos mundiais que o Brasil ganhou nos tempos de Amauri, Wlamir Marques e Ubiratan (1959 e 1963), mas certamente foi a mais decisiva para uma mudança no esporte mundial. Depois da derrota para o Brasil naquela final, os Estados Unidos abandonaram sua política de mandar o time juvenil para as Olimpíadas e montaram aquele que seria o melhor time de basquete de todos os tempos: o Dream Team.

Em segundo lugar, Oscar era um exemplo de dedicação à camisa da seleção brasileira. Em um tempo no qual até unha encravada é capaz de fazer um jogador pedir dispensa da seleção, a exaltação de Oscar serve como um bálsamo para os que ainda acreditam no basquete brasileiro. Pelas regras da FIBA então vigentes, se Oscar optasse por jogar na NBA, jamais poderia voltar a vestir a camisa da seleção. Selecionado no draft de 1984 pelo New Jersey Nets, Oscar abdicou do que provavelmente seria uma carreira de muito sucesso – e de muito dinheiro – na badalada liga profissional norte-americana para jogar no basquetebol europeu.

Em terceiro lugar, Oscar foi um fenômeno de pontuação. Aproveitando-se criação da regra dos 3 pontos a partir de 1979, Oscar se especializou nos chutes de longa distância. Não por acaso, ele detém os dois maiores recordes do esporte nessa área: mais de 1.093 pontos em Olimpíadas (o único com mais de 1.000 pontos em jogos olímpicos) e 49.737 pontos em toda a carreira (mais de 10.000 à frente do segundo colocado, Kareem Abdul-Jabbar.

De certa maneira, a imensa qualidade de Oscar como pontuador acabou se transformando em um mal para a seleção brasileira. Dependente de seu talento e de seus tiros de três pontos, a seleção acabou abdicando do jogo coletivo e das infiltrações no garrafão como opção primeira para jogados ofensivas. Não à toa, desde que Oscar participou de sua última Olimpíada em 1996, o Brasil ficou órfão de jogadas. Ficava-se à busca do “novo Oscar”, o que jogava uma imensa pressão sobre jogadores que não tinham um décimo de sua capacidade de arremesso. Nessa onda, o ficamos 16 anos sem participar de jogos olímpicos no basquete. Só voltamos em 2012, depois que Rúbens Magnano assumiu o comando da seleção e fez o Brasil redescobrir as virtudes do jogo coletivo e do jogo embaixo da cesta.

Tendo Larry Bird – seu maior ídolo no esporte – como mestre de cerimônias, Oscar foi ovacionado no Naismith Memorial Basketball Hall of Fame. Uma justa homenagem para quem fez tanto pelo esporte. A lamentar somente que não exista algo semelhante no Brasil.

Afinal, não é todo dia que aparece um Oscar Schmidt no basquete brasileiro.

Larry Bird e Oscar

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