As previsões econômicas de 2013

Uma das piadas mais velhas e recorrentes no mercado financeiro são as tais das “previsões econômicas” lançadas todo o começo de ano. Seja uma instituição financeira, seja um jornalista econômico, todo mundo recorre a análise supostamente científicas, baseadas em projeções estatísticas e expectativas de mercado para prever o seu “cenário”.

O que pouca gente percebe é que, no fundo, as previsões elaboradas por esses “çábios” do mercado não são lá muito diferentes daquelas produzidas pelos comentaristas de futebol antes dos clássicos. Trata-se das famosas análises segundo as quais tudo pode ocorrer, inclusive nada.

Curiosamente, enquanto as previsões feitas pelos comentaristas de futebol têm credibilidade quase nula junto ao seu público-alvo (os torcedores), as análises produzidas pelos economistas ganham status nostradâmicos, como se todos eles dispusessem de uma bola de cristal pela qual é possível observar os acontecimentos futuros antes de eles ocorrerem.

Veja-se, por exemplo, o Boletim Focus. Elaborado pelo Banco Central e reunindo a nata da análise financista brasileira, o Focus é acompanhado semanalmente como se fosse o Oráculo de Delfos. A cada semana todo mundo acessa o site do BC para ver o que mudou na “projeção dos panoramas” para o ano. A celeuma em torno dele é tanta que, até bem pouco tempo atrás, as taxas de juros subiam e caíam conforme a “expectativa” demonstrada para a inflação projetada no Boletim. Talvez por causa do fato de toda “expectativa” ser sucedida por um número com duas casas decimais, o sujeito incauto acredita que aquilo é uma análise científica, e não chutometria avançada.

No entanto, se você resolver aplicar suas economias baseando-se nas expectativas do Boletim Focus, é bem possível que no final do ano esteja danado. Em 2012, por exemplo, o primeiro Boletim Focus do ano projetava uma inflação em queda, que terminaria em exatos 5,31% (terminou em alta, a 5,84%). O dólar, por sua vez, valeria no final do ano R$ 1,77 (terminou valendo R$ 2,04). Por fim, o PIB cresceria razoáveis 3,30% (terminou em pífio 1% ou abaixo disso).

Noves fora a futurologia, o grande problema desse tipo de análise é a ignorância quanto à natureza da ciência estudada. A Economia não é nem nunca foi uma ciência exata. É uma ciência humana e, como tal, sujeita a intempéries que o analista em grande parte não domina. Às vezes o simples temor de uma queda de atividade econômica pode antecipar o efeito recessivo dessa mesma queda e causar estragos não inteiramente previsíveis quando a análise foi realizada.

Todavia, já que a chutometria insensata continua a dar suas cartas por estas praias, nada impede este que vos escreve de também distribuir suas cacetadas. Abaixo, vão as previsões do Boletim Focus para 2013, acompanhadas das minhas. Ao final de 2013, veremos quem está com a mira mais calibrada para chutar:

1 – Inflação:

– Focus: 5,49%.

– Blog: 6,5% (podendo estourar a meta).

2 – Dólar:

– Focus: R$ 2,08.

– Blog: R$ 2,20 (podendo chegar a R$ 2,25)

3 – PIB:

– Focus: 3,26%.

– Blog: 2,3% (podendo chegar a 2%).

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2 respostas para As previsões econômicas de 2013

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