O prêmio de melhor jogador do mundo da FIFA

Como esperado, ontem Lionel Messi faturou, pela terceira vez seguida, o prêmio de melhor jogador do mundo. Merecido, claro, porque o cara é absurdamente melhor do que todos os outros que estão por aí disponíveis. Mas o buraco é mais embaixo: faz sentido criar um prêmio de melhor jogador do mundo?

Pra começo de conversa, o Prêmio de Melhor Jogador do Mundo é mais uma invencionice da Dona FIFA. Inconformada com a Bola de Ouro da France Football, resolveu criar esse prêmio como forma de centralizar ainda mais o poder que detém sobre o futebol mundial. Aliás, foi justamente a mesma razão de a FIFA ter entrado em acordo com a Toyota e criado o Mundial de Clubes, acabando com a “hegemonia” da montadora japonesa na distribuição do título mais cobiçado pelos clubes de todo o mundo (muito embora até hoje não tenha reconhecido os campeões anteriores ao ano 2000, data da criação do Mundial da FIFA).

No caso do melhor jogador do mundo, há um problema básico: o eurocentrismo. Tudo bem que os melhores campeonatos do mundo estão mesmo na Europa, mas é no mínimo curioso imaginar que até hoje não tenha havido um melhor jogador do mundo extraeuropeu. Mesmo os brasileiros que ganharam o título (Romário, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká) só alcançaram a distinção enquanto jogavam em clubes europeus. Por essas e por outras é que todos eles (Kaká ainda não voltou), após retornarem ao Brasil, nem sequer chegaram a entrar na lista de possíveis candidatos.

Só para dar dois exemplos da miopia eurocentrista: em 1997, ninguém no mundo jogou mais do que Edmundo que, sozinho, levou o Vasco ao tricampeonato brasileiro. Assim como em 2003 ninguém no mundo jogou mais do que o Alex, que levou nas costas o Cruzeiro à inédita conquista da tríplice coroa (Estadual, Copa do Brasil e Brasileiro).

Outro problema é o período de avaliação. Avalia-se um único ano do jogador. Isso acaba por elevar jogadores medianos, que tiveram uma boa temporada, à condição de melhores do mundo. Subitamente, depois disso, despontam para o anonimato, e passam a somente viver de glórias passadas e do status de “melhor do mundo em 1900 e bolinha”. É o caso de excrescências como Fabio Canavarro (2006) e de casos típicos de overrating, como Ronaldinho Gaúcho (2004 e 2005) e Kaká (2007).

Em outros tempos, o melhor jogador do mundo era apontado espontaneamente, uma verdadeira unanimidade mundial, derivada do senso comum futebolístico. Di Stefano nos anos 50; Pelé nos anos 60; Cruyff nos anos 70; e Maradona nos anos 80 foram exemplos bem acabados disso. Em todos os casos, o melhor jogador do mundo era assim considerado mesmo que não tivesse um ano muito bom ou algum outro jogador se sobressaísse em determinado ano. Foi o que aconteceu em 1966, quando Tostão levou o Cruzeiro a derrotar a insuperável esquadra santista de Pelé e Coutinho. Tostão jogou mais que Pelé naquele ano, mas nem por isso se tornou maior do que o Rei.

Com Messi seria a mesma coisa. Ainda que posers como Cristiano Ronaldo levem num ano ou noutro o título da FIFA, ele continuará sendo o melhor do mundo. Melhor seria se a imprensa e os torcedores deixassem de dar tanta importância assim a esse prêmio. O futebol agradeceria.

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