A Guerra dos 6 Dias

Muita gente acha que o conceito de “guerra preventiva” foi criado no Governo Bush. Na verdade, ele é um pouco mais antigo. Remonta a 1967, ano em que Israel humilhou seus vizinhos belicosos destruindo a maior parte do seu poderio militar numa das mais fulminantes operações militares da história: a Guerra dos 6 Dias.

Depois da Guerra de Suez, era só uma questão de tempo até outro conflito estourar na região. Desconfianças mútuas alimentavam corridas armamentistas. Do lado árabe, sempre com o objetivo de aniquilar o Estado judeu. Do lado israelita, sempre com a contínua obsessão de garantir sua segurança através da destruição da capacidade militar alheia.

Desde 1956, Israel viu ascenderem à liderença dos países árabes governos nacionalistas, geralmente imbuídos do sentimento pan-arabista, isto é, o desejo de fazer reunir sob uma única bandeira, do Marrocos ao Irã, uma imensa nação árabe, tal qual fora um dia o grande império maometano. Viu ainda surgir a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) que, aos poucos, começou a mostrar suas garras com pequenos atentados terroristas. Pra piorar, a ONU não parecia mais disposta a intervir como fizera na Guerra de Suez. Tanto é que, depois da pressão de Gamal Abdel Nasser, retirou suas tropas da faixa de gaza. Caía, então, a única barreira existente entre o exército egípcio e o território de Israel.

Nasser, que jogava com as brancas, fez o primeiro movimento fechando de novo o Golfo de Aqba, única saída marítima de Israel para o Oceano Índico. Depois disso, avançou com os bispos pelo centro, deslocando seu exército para a fronteira com Israel. Logo depois, fez o roque, trazendo a Jordânia para a aliança já estabelecida com a Síria.

Israel estava cercado. As tropas de Egito, Síria e Jordânia eram-lhe superiores quase na proporção de 3 pra 1.

O que os árabes não contavam era com a astúcia do chefe do Estado Maior isralense, o lendário militar de venda nos olhos Moshe Dayan, e seu Mossad, o serviço secreto judeu. Desde 1960, Eli Cohen, um dos maiores espiões da história, infiltrara-se no alto escalão do governo sírio. Colhera informações ultrassensíveis, desde a quantidade até o posicionamento de tropas, tanques e aviões. Enquanto os árabes pensavam que Israel movia suas peças no escuro, na verdade sua rainha já tinha atravessado sua barreira de peões. Sem que os árabes desconfiassem, o exército de Israel sabia onde estava cada uma das peças do inimigo.

À ação de inteligência seguiu-se a resolução. Na manhã do dia 5 de junho de 1967, a força aérea israelense lançou uma ofensiva rápida, cirúrgica e destruidora. Em algumas horas, a força aérea da Síria havia sido reduzida a pó. A do Egito sequer pôde lutar; foi abatida ainda em solo.

Sem nada a lhes fazer frente no ar, na terra as ações se desenvolveram rapidamente. As tropas de Israel tinham de avançar rápido, pois era sabido que, em pouco tempo, deveria vir pressão americana para cessar o ataque.

Israel avançou então pela faixa de Gaza e tomou o Sinai. Ao leste, expulsou o exército da Jordânia e anexou a Cisjordânia e Jerusalém Oriental ao seu território. Aproveitou o embalo e ainda tomou as colinas de Golã da Síria, posição estartégia pela localização e pelas fontes de água, bem mais precioso por aquelas bandas.

No dia 10 de junho, um dia depois de Israel ter acertado acidentalmente um navio americano, todas as partes do conflito concordaram com a assinatura de um cessar-fogo.

Depois da Guerra dos 6 Dias, ficou definitivamente provado que Israel era a maior e mais poderosa força militar do Oriente Médio. Isso só fez aumentar o ressentimento dos povos árabes contra o Estado judeu. A anexação de territórios pegou particularmente mal na região. Muitos países muçulmanos, que não gostavam, mas também não manifestavam ódio a Israel, passaram a apoiar os outros estados árabes contra Israel.

A um só tempo, a Guerra dos 6 Dias foi uma estrondosa vitória militar e uma gigantesca derrota diplomática. E suas conseqüências são sentidas até hoje.

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