A Guerra de Suez

Independente, Israel foi à luta. Sabia que estava cercado de inimigos por todos os lados.O melhor a fazer, então, era expandir suas fronteiras e garantir que nenhum dos seuz vizinhos desenvolvesse capacidade militar suficiente para lhe fazer sombra. O objetivo era um só: ser, senão a maior, a melhor e mais capacitada força militar do Oriente Médio.

Em 1952, mais um golpe fora dado no Egito. Valendo-se o desgaste do Rei Faruk I com a derrota na Guerra de Independência de Israel, Gamal Abdel Nasser capitalizara o descontentamento popular e organizou um movimento para derrubá-lo. No lugar da monarquia, uma ditadura. Seis por meia dúzia, ao final das contas. Mas Gamal gostava de abalar as estruturas.

Expulsou todos os judeus do Egito. Pra mostrar força perante o mundo e angariar a simpatia dos nacionalistas egípcios, nacionalizou o Canal de Suez, uma possessão anglo-francesa. Pra piorar, ainda fechou a entrada do Golfo de Akaba, único acesso ao Oceano Índico de que dispunha Israel, por meio do porto de Eilat.

Nasser não contava que, com isso, forçasse uma improvável aliança entre França, Reino Unido e Israel. Os dois primeiros pensaram como se estivesse no século XIX. Suas respectivas fichas ainda não tinham caído de que o mundo era outro e que, agora, Estados Unidos e União Soviética mandavam nele.

Numa ação fulminante, destruíram a força aérea egípcia, composta de caças comprados à URSS, e invadiram a Península do Sinai por terra, mar e ar. Em poucos dias, tudo estava tomado.

Foi aí que a porca entortou o rabo. A União Soviética queixou-se aos americanos, ameaçando do ataque a um aliado seu no Oriente Médio. Quanto à Inglaterra e à França, a mensagem foi clara: mísseis intercontinentais com cargas nucleares estavam apontados para Londres e Paris.

Fulos da vida por não terem sido avisados nem consultados sobre a operação militar, os americanos mandaram – isso mesmo: MANDARAM – Inglaterra e França tirarem o cavalinho da chuva. Disseram que tinha agido por conta própria e se o irmão mais velho (URSS) resolvesse agir em socorro do irmão mais novo (Egito), que se virassem sozinhos, pois os americanos não meteriam o bedelho na história. Quanto à Israel, os americanos ameaçaram cortar o auxílio militar e financeiro, e deixá-los ao relento no meio de tantos vizinhos hostis.

Humilhados, Inglaterra, França e Israel obecederam obsequiosamente à ordem.

Para também não ceder completamente à ameaça soviética, os americanos impuseram que a Península do Sinai fosse ocupada por forças internacionais da ONU, de modo a garantir a navegabilidade do Canal de Suez. De todo modo, no final das contas, Nasser ficou com seu troféu: Suez fora nacionalizado, e seria propriedade egípcia a partir de então.

A Guerra de Suez teve duas conseqüências claras. A primeira, na ordem internacional. Se ainda havia alguma dúvida de quem mandava no mundo pós-II Guerra, ela se desfez na Guerra do Suez. A nova ordem bipolar estabelecera-se de vez, e duraria até 1989. A segunda, na ordem regional. Se Israel tinha razões para desconfiar dos vizinhos árabes que tentaram impedir sua independência, agora dera razão aos vizinhos para desconfiar do Estado judeu. Se Israel podia iniciar unilateralmente uma guerra, tudo o mais seria possível.

A confiança – moeda rara naquelas terras desérticas – abandonou de vez o Oriente Médio. A única questão agora era saber quem daria o próximo passo na direção de mais uma guerra.

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