É lugar-comum atribuir a grupos fanáticos a alcunha de “xiita”. Virou sinônimo de radical, fundamentalista, revolucionário, ou qualquer outra forma de extremismo possível.
Entretanto, a fama é injustificada.
Pra começar, convém explicar que xiitas e sunitas são duas correntes da religião islâmica. E – pelo menos originalmente – a distinção entre as duas não tinha nada relacionado ao caráter fundamentalista de uma ou de outra, mas, simplesmente, uma disputa de poder.
Na época de Maomé e no Império Islâmico, era o profeta de Allah que mandava no pedaço. Em todo ele.
O problema veio, como esperado, quando Maomé morreu, em 632 DC. E agora, quem vai herdar o espólio e mandar nas tribos islâmicas?
Para parte dos seguidores de Maomé, o escolhido deveria ser Ali, primo e genro dele. Esse grupo formava os xiitas, que reconheciam unicamente o Alcorão como livro sagrado e não aceitavam nenhum outro como fundamento para a doutrina de sua religião.
Outra parte achou que o sucessor deveria ser Abu Bakr, companheiro de armas de Maomé e um dos que fugiu com ele para Medina. Esse grupo entendia que, além do Alcorão, deveria servir de base para a religião islâmica um livro que reunia os ensinamentos de Maomé: a Sunna. Daí o nome sunitas.
No final das contas, os sunitas saíram vitoriosos. Abu Bakr assumiu como Califa e mandou no pedaço por um bom tempo. Mas depois, com várias disputas entre as vários tribos islâmicas e sem uma figura como Maomé para uni-los, todo mundo se separou e o Império Muçulmano acabou fragmentado em vários pequenos aglomerados de tribos.
Assim, você pode ver que radicalismo não tem nada a ver com xiitismo. Pra provar, basta dizer que Saddam Hussein era sunita. E dizer que Saddam era um “moderado” é um pouco demais, não acha?
Provavelmente, a associação do xiitismo ao fundamentalismo e ao radicalismo islâmico deu-se por conta da revolução islâmica do Irã, que derrubou o xá Reza Pahlevi. Khomeinni era xiita, assim como seus seguidores. Como assumiram rompendo com os Estados Unidos – é famoso o caso da tomada da Embaixada dos EUA em Teerã – acredito que a máquina de propaganda americana acabou por associar uma coisa à outra.
Mas, como você pode ver, é conversa pra boi dormir.
Quando você diz que :”…radicalismo não tem nada a ver com xiitismo”, além do erro de português, você está incorrendo em erro lógico. Se você dissesse que o radicalismo islâmico não é exclusivo do Xiismo, aí sim eu concordaria.
Além disso, pare com essa história de colocar a culpa de tudo nos americanos. Essa mania ainda está enraizada nas mentes atrasadas da América Latina, e muitas vezes impede vocês subdesenvolvidos de ver a realidade com mais clareza.
Sieg Heil!
Traga-me o Nosso Pai on line e me diga que não há xiitismo no Dicionário que aí eu pensarei (mera possibilidade) se mudo a expressão.
Quanto aos americanos, sugiro estudar um pouco a história da América Latina e ver como nossos “irmãos” do norte tratam com governos que não lhe são simpáticos.
Vide Brasil-64, Chile-73, independência do Panamá, seqüestro do Noriega, and so on…