As 10 melhores músicas internacionais de todos os tempos

Voltando ao batente aqui no Blog, depois de uma semana de afastamento forçado, vamos retomar os trabalhos em alto estilo. Como o panorama político e financeiro deu uma certa aliviada nas últimas semanas, vamos revisitar uma das seções mais aclamadas deste espaço: a sempre tão querida Música. Nesse caso, no entanto, a idéia é elaborar mais um Top Ten do Dando a cara a tapa. Mas, ao contrário das últimas vezes, o Blog não abordará o assunto de forma espontânea, mas movido pela rejeição profunda a mais uma famigerada lista de mais mais das paradas lançada recentemente.

Quem acompanha o cenário musical deve ter reparado que a revista Rolling Stone resolveu dar nova cara à sua famosa lista de 500 melhores músicas de todos os tempos. Não se sabe se a publicação atribuiu a tarefa a um músico, a um crítico musical ou a um humorista, mas o fato é que a compilação é uma piada. Para além do fato de que a lista é um poço de anglocentrismo musical (todas as canções são no idioma de Shakespeare), mesmo se restringíssemos o universo das escolhas a Estados Unidos e Inglaterra a seleção não faria sentido.

Fora episódios bizarros, como a primeira música do Pink Floyd aparecer apenas na 179a. colocação (Comfortably numb), há coisas verdadeiramente inexplicáveis. Quem, em sã consciência, colocaria Beyoncé (Crazy in love) na 16a. posição e um verdadeiro clássico como Let it be numa absurda 121a. posição? Pior que isso mesmo, só a estapafúrdia escolha da sonsíssima Hey ya do Outkast para inaugurar o Top Ten, enquanto Blowin’ in the wind do laureado com o Nobel Bob Dylan está apenas na centésima colocação.

Para tentar restaurar alguma lógica e conferir alguma dignidade a uma seleção tão difícil, o Blog vai seguir seu próprio mote e dar a cara a tapa novamente. Obviamente, não escolheremos aqui 500 canções, mas só as 10 que, no entender deste que vos escreve, devem ocupar o panteão sagrado da música mundial. De modo a manter a, digamos, “coerência” com a lista da Rolling Stone, apenas músicas de língua inglesa serão escolhidas. Até porque, sendo brasileiro, algum desavisado poderia querer acusar o Blog de bairrismo, algo que se pretende claramente evitar.

Também a critério do Autor, será evitada a repetição de bandas e/ou cantores (as). Afinal, a depender do caráter e da disposição do fã, seria possível fazer uma lista de “10 mais” só com músicas dos Beatles ou dos Rolling Stones, por exemplo. Em razão disso, por mais cruel e doloroso que seja restringir a peneira, cada banda/cantor/cantora terá seu nome citado apenas uma vez na lista.

Como todas as listas deste espaço, a seleção obedece claramente às preferências musicais do Autor. Não se deve buscar aqui o rigor musical de quem pretende elaborar estas listas furadas, mas tão-somente expressar aquilo que o Blog entende como as melhores composições musicais de todos os tempos em inglês. Se o leitor amigo com ela concordar, ótimo; terei me pagado da tarefa a que me propus. Se não concordar, pode pegar a lista e enfiar no ralo da banheira (ou em outro buraco que esteja à mão).

Sem mais delongas, eis aqui o Top Ten de músicas internacionais do Dando a cara a tapa:

10 – Losing my religion

Nem parece que já faz 30 anos, mas foi em 1991 que a galera do R.E.M resolveu mudar para sempre a cara da música mundial. No antológico álbum Out of time, a banda da pequena e pacata cidade de Athens, na Geórgia, deixaria de ser “apenas mais uma banda” para ser “A BANDA” daquela década. Não por acaso, o Blog escolheu o disco como o melhor dos anos 90 (para ver mais, clique aqui). E, obviamente, nesse álbum, nenhuma música teve tanto destaque quanto Losing my religion (e não foi por falta de música boa, ressalte-se), que se transformou quase em um hino daquela geração. Ouça, para entender por quê.

9 – For once in my life

Na nona colocação, o Blog mata dois coelhos com uma cajadada só. Porque nenhuma lista seria verdadeiramente séria se deixasse de fora o grande e inigualável Stevie Maravilha. No entanto, seria um pecado imperdoável também olvidar da estupenda Gladys Knight, uma das vozes negras mais lindas de que se tem notícia. E só ela mesmo conseguiria transformar uma música que já era boa – For once in my life – numa das mais belas canções de amor de todos os tempos. Se quiser saber mais, clique aqui.

8 – Your song

Mas é claro que Sir Elton John teria que estar na nossa lista, não é verdade? E aí a parada é dura, porque escolher só UMA entre as dezenas de belíssimas canções escritas sozinhas por ele ou em parceria com Bernie Taupin representa uma tortura indizível para qualquer pessoa com o mínimo de senso musical na cabeça e nos ouvidos. Afinal, a dupla faz parte de uma época em que as músicas tinham letra (para saber mais, clique aqui), matéria-prima cada vez mais rara hoje em dia. À falta de um critério definido para fazer tão sofrida opção, a escolha recai na óbvia Your Song, seu primeiro grande sucesso musical.

7 – My way

O Dando a cara a tapa tem suas excentricidades, eu confesso. Mas o leitor amigo haverá de concordar comigo que não dava para elaborar semelhante lista sem dar um jeito de incluir nela algum sucesso de Frank Sinatra. Aqueles velhos olhos azuis marcaram não somente o coração de muitas pelo caminho, mas deixaram um legado absolutamente insuperável de verve, charme e elegância no cenário mundial. Embora a escolha óbvia nesse caso fosse New York, New York, creio que toda a gente irá concordar que My way – a versão inglesa da francesa Comme d’habitude – é uma canção bastante superior, na letra, na composição lírica e também – por que não dizer? – também na mensagem.

6 – Georgia on my mind

Na sexta colocação, uma presença obrigatória em qualquer lista do gênero. Porque poucos músicos foram tão revolucionários no cenário musical do que Ray Charles. E, no quesito comercial, foi ele quem praticamente reinventou as práticas da indústria fonográfica, alcançando um patamar nunca dantes imaginado. E o fato de ele ter feito tudo isso em plena América da segregação racial só demonstra o tamanho impressionante do seu talento e do seu caráter. A canção? Qual outra, senão Georgia on my mind, da sua amada terra natal (e que depois virou hino do estado)?

5 – Like a rolling stone

Citado no texto, presente na lista. Ou seria razoável deixar de fora o único músico da história a ser agraciado com um Prêmio Nobel de Literatura por suas composições? Se isso fosse pouco, Bob Dylan ainda tem um Oscar e um Pulitzer na galeria, só pra fazer inveja aos demais. Verdadeiro precursor da folk music, Dylan redefiniu a música dos anos 60 com suas letras e as provocações nela embutidas. Por isso mesmo, a música escolhida para inaugurar o nosso Top 5 é sim, ela mesma: Like a rolling stone.

4 – It’s only rock ‘n roll

E por falar em Rolling Stones (e não, eles não têm nada a ver com a canção de Bob Dylan – clique aqui para saber mais), é deles o quarto lugar da nossa dileta lista de melhores de todos os tempos. Embora escolher só uma música dos Stones para fazer parte de um Top Ten seja uma tarefa ingrata desde sempre, acho que todo mundo vai concordar que It’s only rock ‘n roll é a canção que melhor define a banda, seus músicos e o próprio estilo musical que a música pretende representar.

3 – What’s going on

O pódio da nossa modesta lista não poderia ser mais bem inaugurado senão com o grande, o enorme, o gigante Marvin Gaye. What’s going on não é somente a faixa-título do álbum que a própria Rolling Stone considera o melhor de todos os tempos, mas foi o hino de uma geração que passou pela feliz algazarra de 68, para logo depois cair naquilo que parecia uma depressão sem fim no começo dos anos 70, com Nixon, recessão econômica e, claro, a Guerra do Vietnã. Um clássico de todos os tempos, sem mais, nem menos.

2 – Yesterday

Aquela que é tida e havida como “a” melhor música de todos os tempos por 9 em cada 10 músicos fica com a medalha de prata na lista aqui no Blog. Não que Yesterday tenha algum defeito, muito pelo contrário. Na verdade, é impressionante constatar, ainda nos dias de hoje, que um imberbe Paul McCartney, com pouco mais de 20 anos, tenha composto uma canção com tanta “alma” embutida. A façanha torna-se ainda mais incrível quando se considera que ele fez tudo isso sozinho, mesmo tendo ao lado gente como George Harrisson e John Lennon para ajudar. Se tudo ainda fosse pouco, a profundidade veio na mesma época em que os Beatles eram basicamente os “Reis do yê-yê-yê“, com músicas bonitas, mas na maioria das vezes compostas apenas para divertir a juventude da época. Por isso mesmo, Yesterday parecia um peixinho fora d’água no repertório do Fab Four, e chega a ser cômico que, por conta disso, Paul sentisse vergonha de cantá-la ao vivo. Não importa. Hoje, ela ostenta o honroso título oficial de música mais regravada da história. Mais do que merecido.

1 – Wish you were here

Quem acompanha o Blog desde sua fundação já sabia, antes mesmo de começar a ler, qual seria a escolha deste que vos escreve para a medalha de ouro no concurso de “melhor música de todos os tempos”. Wish you were here não é somente o abençoado fruto de um momento mágico de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos. Ela é também o retrato mais bem acabado que alguém jamais traçou do sentimento mais sublime que o ser humano pode experimentar: a saudade. David Gilmour (o compositor) e Roger Waters (o letrista) não se podiam dizer nem sequer amigos um do outro, mas aquilo que sentiam por Syd Barret (o fundador do Pink Floyd, para quem a música foi escrita) foi o suficiente para compor a mais bela canção do século XX (quem quiser saber mais, clique aqui). E a força da canção é tão gigantesca que os levou a superar as mais profundas diferenças, incluindo uma acirrada batalha judicial pelos direitos das músicas do Pink Floyd, para se reunirem novamente e comparecerem no Live 8. Duvida? Pois veja abaixo.

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