A revolução do streaming, ou O admirável mundo novo da mídia televisiva

Já não era sem tempo.

Depois de décadas de domínio absoluto das grandes redes de televisão, e, no Brasil, de quase um virtual monopólio da Nave Mãe (Globo), enfim a modernidade prometida pela Internet resolveu dar as caras para mudar para sempre o panorama do consumo de mídia no país.

Não que isso não fosse previsível. Muito pelo contrário. Desde que a world wide web baixou por estas paragens, ainda no tempo da Internet discada, profetizava-se o dia em que o consumo de informação e de entretenimento migraria das plataformas tradicionais – rádio e televisão – para novas modalidades de transmissão. O que antes parecia sonho de visionário muito louco de LSD, agora ganhar ares cada vez mais concretos de incontornável realidade.

Em relação à informação, a transição já se deu quase que por completo. Hoje, é difícil conhecer alguém que se informe – ou, pelo menos, que se forme exclusivamente – apenas com jornais, escritos ou televisionados. As revistas vão na mesma toada, e hoje a maioria dos semanários de grande circulação ostenta mais assinantes nas suas plataformas digitais do que nas suas tradicionais versões encadernadas. Faltava, no entanto, dar o salto para o mundo do entretenimento. E é aqui que entra a Netflix e o YouTube.

Fundada com uma idéia simples – evitar gastos extras com atrasos na devolução de fitas (!) e, mais tarde, DVDs -, a agora gigante do streaming norte-americano conseguiu superar as dificuldades iniciais para firmar-se como uma das maiores produtoras de conteúdo de entretenimento no mundo. A revolução é de tal ordem que o que antes parecia restrito às séries parece ter ganhado definitivamente Hollywood. Para quem duvida, basta verificar que, na última relação de indicados ao Globo de Ouro, a Netflix emplacou 3 de seus filmes entre os 5 indicados para o prêmio de Melhor Drama.

Menor não é a revolução perpetrada pelo YouTube. Também soerguido a partir de uma simples idéia – poder fazer com que qualquer um tivesse o seu “canal de televisão” -, o site hoje pertencente ao Google transformou-se numa das principais plataformas de difusão de conteúdo digital. Nele, misturam-se desde vídeos artesanais, lembranças de antigamente até verdadeiros “canais” de comunicação, de que é exemplo o agora famoso MyNews.

Para toda uma geração que cresceu e viveu sob a égide do sofá e da TV, a mudança revela-se dramática. De repente, ninguém mais se senta na sala de estar com a família para assistir ao que quer que seja. Cada qual pode, a seu bel prazer, assistir ao que quiser no seu computador ou mesmo no seu celular. O único entrave que existia – a deprimente velocidade da conexão brasileira -, foi enfim superado com a popularização das redes 4G e tende a desaparecer por completo quando por aqui aportar o tão esperado 5G.

As vantagens desse novo mundo são evidentes. Além da comodidade, o sujeito não está mais refém dos horários de televisionamento de filmes ou novelas, muito menos dos famigerados “comerciais” entrecortando a programação. Melhor ainda, acabou-se o monopólio de contratos de atores e da produção de conteúdo no Brasil. Não custa lembrar que houve um tempo em que artistas só podiam aparecer em determinada emissora e, caso a grande rede ficasse contrariada, o sujeito era jogado numa espécie de limbo, no qual nem mesmo aparições em comerciais de outras redes de TV era possível.

Obviamente, a mudança não ficará restrita aos consumidores. Seu aspecto mais revolucionário, e também dramático, se dará sobre as próprias emissoras de TV. Perdendo audiência, perderão publicidade, perdendo, por conseguinte, receita. Daí, por exemplo, as recentes demissões de medalhões da Globo e a repactuação de grande parte dos contratos de suas grandes estrelas. Grandes mudanças, como de hábito, não ocorrem sem grandes traumas.

Ainda que isso não acontecesse, seria difícil imaginar que qualquer emissora brasileira pudesse concorrer de igual pra igual com concorrentes estrangeiros que faturam dezenas de bilhões de dólares por ano. Se uma Netflix já era dureza pra qualquer um, imagine a gigante agora ladeada por Amazon, Apple e sabe-se lá mais quem daqui pra frente. Não há Globo que consiga aguentar essa parada.

Por isso mesmo, essa mudança de paradigma é tão auspiciosa. Pela primeira vez desde que a televisão foi instalada no Brasil, o telespectador parece ter ganhado sua independência. E, como prova de que os novos tempos vieram para ficar, Bruno Gagliasso resolveu tirar onda fazendo um “teste” para La Casa de Papel.

Duvida?

Então assista:

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