Che cos´è il mondo arabo?

A imprensa tem lá suas coisas boas. Informa, investiga, entretém. Mas o fato é que, principalmente no jornalismo, peca várias vezes em precipitações e, o que é mais comum, perde-se em generalizações desconexas.

Uma das mais usuais é a referência a essa entidade esotérica conhecida como “Mundo Árabe”. Do Atlântico ao Índico, do Marroscos ao Paquistão, tudo é juntado no mesmo balaio de gato ao qual se deu o nome de “Mundo Árabe”. A expressão voltou à moda com a tal “Primavera Árabe”. Reuniu-se, como se fossem uma coisa única e uniforme, países e povos tão distintos como o são os líbios dos egípcios, os palestinos dos turcos, os judeus dos persas.

Sem meias-palavras: “Mundo árabe” não existe.

Afora o clima, há pouca coisa de comum entre esses países. A começar pela etnia. Como não houve muita miscigenação entre as tribos árabes e beduínas, há povos que não tem qualquer tipo de ancestral comum relativamente próximo a justificar uma “identidade árabe”. Os egípcios, por exemplo, constituem um ramo à parte no tal “Mundo Árabe”. Do mesmo modo, os iranianos são uma derivação do povo persa, que jamais se miscigenou com os povos a oeste do Tigre e do Eufrates. Aliás, se você quiser xingar um iraniano, chame-o de árabe. Do alto dos seus quase 5 mil anos de história, os persas julgam como inferiores toda a malta ao seu redor.

É claro, há algumas coisas além do clima a aproximá-los. Primeiramente, pelo menos até o momento, quase todos são governados por ditaduras. Às vezes individuais, como na Síria de Bashar al-Assad; ou familiares, como na Árabia da dinastia Saud. Em quase todos o islão é a religião predominante. A exceção, evidentemente, é Israel, o Estado Judeu.

Mesmo assim, a história, a cultura e a formação desses Estados são diferentes na origem e na gênese. Há Estados, por exemplo, com uma raiz cultural e histórica comum. É o caso do Irã, que ocupa mais ou menos o território ocupado desde sempre pela Pérsia. Há outros, no entanto, que não passam de estados fabricados, desenhados a régua e esquadro. É o caso da Líbia, um amontoado de tribos reunidos num único país para ser entregue à Itália como colônia.

Na Guerra Fria, boa parte ficou do lado dos soviéticos (Líbia). Outra parte sempre ficou do lado dos americanos (Árabia Saudita). E houve casos até de países que viraram a casaca (Egito).

Na economia, então, as diferenças são gritantes. Há aqueles que só dependem do petróleo (Kuwait). Há outros que vivem mais de turismo (Egito).  Há também aqueles mais industrializados (Irã). E  há até aqueles que sobrevivem do tráfico de ópio (Afeganistão).

O fato é que, com tantas diferenças, reunir essa trupe toda sob um mesmo rótulo não passa de uma mistificação a serviço da desinformação.

Obs: Com os agradecimentos ao meu amigo Monge Budista, SM.

Esse post foi publicado em Dicas de português, Política internacional. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.